Caminhões continuam ditando o ritmo na indústria automobilística

por | 07/07/2021 | Notícias

De acordo com os números divulgados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a produção de 74,7 mil unidades de caminhões no primeiro semestre foi a melhor marca para um mês de junho desde 2014, da mesma forma que as 58,7 mil unidades licenciadas de janeiro a junho foram a melhor performance desde 2019.

O acumulado do ano de caminhões em relação ao ano passado, mostrou um crescimento de 55%.

Este segmento de caminhões vem sendo o grande responsável pelo crescimento do setor e isso se deve ao crescimento de setores como o agronegócio e construção civil que demandam este tipo de transporte.

Mas a indústria automobilística, segundo a Anfavea, vem apresentando grandes distorções por conta da falta de semi condutores que tem paralisado diversas unidades não só no Brasil como em diversos países pelo mundo afora.

Em determinado momento da entrevista o presidente Luiz Carlos de Moraes disse que a indústria mundial de veículos deixará de fabricar perto de 3,6 milhões de veículos em 2021, por conta deste problema.

Conforme gráficos apresentados e gerados pelo BCG que é uma consultoria internacional da área, nos EUA haverá em 2021 uma queda na produção de cerca de 20% e na América do Sul, onde primordialmente o Brasil é produtor de veículos, a queda será de aproximadamente 14%. No primeiro semestre deste ano ele estimou a queda em nosso país entre 100 a 120 mil veículos.

Segundo Moraes, a indústria automobilística que vinha se situando em uma produção mensal de 180 a 200 mil veículos/mês, caiu para em torno de 160 mil e deve permanecer neste patamar até que a situação seja regularizada. E segundo a mesma consultoria essa regularização só deverá acontecer no segundo semestre do ano de 2022.

Quanto aos números do primeiro semestre os dados divulgados dão conta de que  1.148,5 mil autoveículos deixaram as linhas de montagem no primeiro semestre do ano, 57,5% a mais que os 729 mil do mesmo período do ano passado, quando todas as fábricas passaram por paradas de até dois meses por conta da pandemia. Numa comparação mais justa, com o primeiro semestre de 2019 (antes da pandemia), houve uma retração de mais de 300 mil unidades, ou 22%.

Em junho, a produção de 166.947 unidades foi a pior dos últimos 12 meses, em função das várias paradas de fábricas de automóveis ao longo do mês – situação que vem acontecendo desde o final do primeiro trimestre exatamente pela falta de semi-condutores.
Com essa falta de produtos a ser oferecido ao público, houve também um reflexo no nos resultados do mercado interno.  Nos seis primeiros meses de 2021, 1.074 mil unidades foram licenciadas no país, 32,8% a mais que no mesmo período de 2020, porém 17,9% a menos que no primeiro semestre de 2019. As vendas de 182.453 autoveículos em junho recuaram em relação aos últimos dois meses.

E como ficam as projeções anuais?
Com o desempenho surpreendente do segmento de caminhões, a ANFAVEA atualizou as projeções que havia apresentado em janeiro, referentes ao fechamento de 2021.

A produção total de veículos automotores, que era estimada em 2.520 mil unidades (alta de 25% sobre 2020), foi reduzida para 2.463 mil (alta de 22% sobre o ano passado). Separando leves e pesados, a alta na produção estimada 2021/2020 caiu de 25% para 21% no segmento de automóveis e comerciais leves, e subiu de 23% para 42% no caso de caminhões e ônibus.

Já para as vendas internas, a expectativa agora é de 2.320 mil licenciamentos (elevação de 13% sobre o ano anterior), ante os 2.367 mil previstos na coletiva de imprensa de janeiro.

Nestes números automóveis foram revistos para baixo, enquanto comerciais leves, caminhões e ônibus foram revistos para cima. Neste caso há mudança do comportamento do mercado que vem dando maior atenção aos SUV, do que os veículos mais leves.  

Finalmente, as exportações foram revisadas de 353 mil para 389 mil na expectativa do ano, uma esperada alta de 20% sobre 2020, melhor que a elevação de 9% inicialmente projetada. “Nunca foi tão difícil fazer projeções no Brasil”, desabafou o Presidente da ANFAVEA. “Além das variáveis socioeconômicas, agora temos também de levar em conta a situação da pandemia, o ritmo da vacinação, a instabilidade política e essa crise global dos semicondutores, sobre a qual pouco podemos antever”, acrescentou Moraes, ressaltando que uma possível restrição de fornecimento de energia elétrica não entrou nos cálculos da associação.

Fonte: Anfavea