
A Anfavea, apresentou os números relativos ao primeiro semestre de 2025. Apesar de registrar crescimento na produção de 7,8% com 1.226,7 mil unidades produzidas, o momento da indústria é motivo de muita preocupação. Nos dois últimos meses houve queda na produção e no primeiro semestre ocorreu o fechamento de mais de 600 vagas de empregos diretos. Se considerarmos que 1 vaga direta corresponde a 4 vagas na cadeia produtora, o efeito foi mais devastador ainda.
Isto tudo porque houve um grande crescimento nas importações dos carros vindos da China de 15,6% sobre o ano passado, que já era um base forte, com 228,5 mil unidades internadas. Segundo o presidente da Anfavea Igor Calvet: “Esse é um volume equivalente ao que se produz anualmente numa fábrica nacional de grande porte, com mais de 6 mil funcionários diretos, sem levar em conta as vagas geradas na cadeia de fornecimento”.
Outro dado relevante do semestre é que as exportações cresceram em 59,8% com 264,1 mil unidades. Porém quase todo esse crescimento se deve à surpreendente recuperação do mercado argentino, uma vez que não houve altas relevantes nos envios para outros países – em casos como o México a situação é de perda de participação -.
No mercado interno os emplacamentos de 1,2 milhão de veículos representaram alta de 4,8% sobre o ano passado. Entretanto os veículos produzidos no Brasil subiram só 2,6% enquanto os importados 15,6% predominantemente vindos da China. Segundo a Anfavea há perto de 110 mil veículos chineses estocados nos pátios, concessionárias e portos de carros importados prontos para ganharem as ruas. A média diária de vendas de veículos caiu em junho sendo inferior à do ano passado, fato que não ocorria há mais de dois anos no país.
No segmento de caminhões a situação é mais preocupante. Os emplacamentos no semestre foram 3,6% menores. A produção apesar de apresentar uma alta de 3.1% vem desacelerando mês a mês. O melhor desempenho foi o de ônibus que 7,3% de aumento na produção e 31,3% nas vendas.
Neste caso, segundo a Anfavea, o grande vilão são os altíssimos juros praticados no país. Um caminhão pesado ou extra pesado é um alto investimento, com retorno se diluindo ao longo do uso o que afasta os interessados da aquisição.
Finalizou Calvet: “Fica cada vez mais evidente que estamos recebendo um fluxo perigoso de veículos chineses para o nosso mercado, com um Imposto de Importação abaixo da média global. Não ficaremos passivos com a interrupção de um projeto de neoindustrialização do país e com o avanço de propostas, como essa de redução da alíquota para montagem de veículos semi-desmontados, que não geram valor agregado nacional e geram pouquíssimos empregos”.
Nota do Editor: Ele se refere ao método utilizado pela BYD que inaugurou sua fábrica na Bahia, que traz para o Brasil os carros prontos e desmontados, cabendo aqui somente a sua finalização e com imposto de importação inferior ao produto que chega pronto.
Beja em nosso portal matéria sobre a inauguração da montadora chinesa no Brasil.
Fonte: Anfavea.








