A Anfavea realizou hoje (15 de abril) uma reunião com a imprensa onde apresentou dados e resultados dos segmentos de implementos agrícolas e rodoviários de seus afiliados.

A entidade projeta um ano desafiador para os segmentos de máquinas agrícolas e rodoviárias, com recuo nas vendas e nas exportações, após um 2025 com poucos indicadores de alta e uma entrada recorde de produtos importados, sobretudo chineses e indianos.
O setor de máquinas rodoviárias, que engloba tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, rolos compactadores, minicarregadeiras e manipuladores telescópicos, registrou 37 mil unidades vendidas em 2025, mesmo patamar de 2024 e 2 mil a menos que o recorde histórico de 2022. A alta na mineração ajudou a compensar a queda nas entregas para a construção civil, setor negativamente impactado pelos juros elevados. Para este ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores projeta um recuo de 4,7%, com 35,3 mil unidades vendidas.

Se o mercado interno se mostrou estável, as exportações cresceram 17,8%, com 17,1 mil máquinas embarcadas. A maioria teve como destino os Estados Unidos, ainda que em volume inferior ao de 2024. Os mercados sul-americanos foram os principais responsáveis pela alta nos embarques. Para este ano, a projeção é de queda de 10,7% nas exportações, em função da instabilidade relacionada a questões tarifárias envolvendo nosso principal destino, os Estados Unidos.
Já as importações cresceram 10%, superando a marca de 20 mil unidades. “Mais de 16 mil dessas máquinas rodoviárias vieram da China, muitas delas em concorrências públicas que deveriam considerar não apenas a localização da produção e os empregos gerados no país, mas também a qualidade dos produtos e dos serviços de assistência técnica — aspecto que precisa ser revisto com urgência”, alertou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Máquinas agrícolas têm retração pelo quarto ano consecutivo
Há quatro anos as vendas internas vêm registrando quedas sucessivas. Em 2025, as vendas no varejo somaram 49,8 mil unidades, 3,6% abaixo do ano anterior e 10 mil a menos que em 2021, com destaque para as colheitadeiras, cujo volume foi reduzido a quase um terço.

“O crescimento da atividade agropecuária, mais volátil e incerto do que o de máquinas rodoviárias, ocorre em um contexto de juros elevados, o que afeta diretamente o setor de máquinas agrícolas”, afirmou Igor Calvet.
Por outro lado, observa-se crescimento na venda de tratores de baixa potência, associados à agricultura familiar e estimulados por programas como o PRONAF Mais Alimentos, cujos juros são mais atrativos, em torno de 5%. Para 2026, a projeção da Anfavea é de novo recuo, de 6,2% nas vendas no varejo. Para as exportações, espera-se também retração de 12,8%, após leve alta de 2,4% em 2025.
O ponto de maior atenção no momento são as importações, que atingiram um patamar recorde de 11 mil unidades, 17% acima de 2024. O crescimento expressivo dos importados transformou o superávit em déficit na balança comercial pelo segundo ano consecutivo. A Índia, com 6 mil unidades, lidera o ranking de modelos estrangeiros, enquanto a China, com crescimento de 85,7%, se aproxima, com 3,9 mil unidades importadas no ano passado.
Estudo de competitividade encomendado pela Anfavea ao BCG indica que produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, reduzindo o custo de produção em até 27%. “Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”, concluiu o presidente da Anfavea.
Fonte: imprensa@anfavea.com.br








