Com 44 anos de atividades, a Açoservice trabalha para servir seus clientes, sempre pautada na ética e com foco na qualidade e na eficiência. E uma das principais impulsionadoras é exatamente a sua presidente.
Marcus Frediani
A Açoservice foi fundada em 1980, em um período bastante delicado da economia não só brasileira, como de toda a América Latina, marcada por estagnação do mercado, pela hiperinflação e, ainda, pelas dificuldades de implementação de políticas econômicas eficazes.
O nascimento da companhia se deu a partir da venda da Solebral, empresa dos sócios João Braz de Moura Fonseca e Cinézio Landgraf, que fabricava tubos de aço e os cortava para a sua industrialização, para o grupo sueco chamado Alvenius. E tal negociação se deu em função do vislumbre de uma grande oportunidade, quando ambos se deram conta de que muitas firmas precisavam ter as bobinas que recebiam das usinas cortadas nas dimensões exatas que necessitavam, e não compensava para elas investir na compra de máquinas caras para processar menos que 2.000 toneladas por mês.
Contudo, o impulso inicial a ser dado na nova empresa logo encontrou um sério revés, quando as usinas começaram a enviar bobinas com 15 toneladas para a Açoservice, e esta possuía pontes de apenas 10 toneladas para fazer o processamento. Os problemas perduraram por longos seis meses, até que a empresa finalmente conseguiu instalar sua primeira ponte de 20 toneladas para dar fluxo adequado à operação. E foi a partir dessa decisão, e com a proposta de fazer investimentos constantes em conhecimento, tecnologia, inovação para fornecer produtos de alta qualidade a seus clientes, contribuindo sempre para a segurança e eficiência de diversos setores, que a produtiva história de sucesso da companhia, que já contabiliza 44 anos, passou a ser escrita.

Posteriormente, com a saída de Cinézio da sociedade, a Açoservice passou a ser uma empresa totalmente familiar. E hoje, sob o competente comando de Silvia Fonseca, filha de João, ela prospera em todos os mercados que atua, fornecendo produtos e serviços de corte em aço carbono, inox, silício e alumínio, com certificados originais das usinas siderúrgicas para os setores Automobilístico, de Autopeças, Construção Civil, Máquinas, Equipamentos e Eletroeletrônicos, Agricultura, Energia, Embalagens e Recipientes, Transporte e Utilidades Domesticas, entre outros.
Nesta entrevista exclusiva à revista Siderurgia Brasil, Silvia, hoje presidente da Açoservice, continua honrando o legado de seu pai, e fala sobre o momento atual e o futuro da empresa, cujo sentido da palavra “auspicioso” é realmente pouco para definir. Confira!
Siderurgia Brasil: Hoje, quais são os principais diferenciais da Açoservice no mercado em que atua?
Silvia Fonseca: Olha, são muitos! Para começar, nossos processos são meticulosamente estruturados para assegurar a excelência final dos produtos, proporcionando segurança e confiabilidade a cada cliente. Contamos com diversas certificações que atestam nosso compromisso em atender plenamente às exigências dos setores que servimos. Responsabilidade e credibilidade são pilares fundamentais para nós. Com uma empresa bem capitalizada, gerenciamos centenas de toneladas de materiais sob nossa custódia, o que nos garante uma posição sólida e respeitável no mercado. Mantemos rastreabilidade completa, tanto da matéria-prima quanto do produto acabado, oferecendo total transparência e confiança sobre a origem e a qualidade dos materiais que entregamos. Nossa agilidade (lead time), que também é um diferencial importante, é resultado de uma programação de produção precisa e da expertise de nossos profissionais capacitados. Com unidade estrategicamente localizada em Diadema, temos uma estrutura que permite atendimento rápido e eficiente para a Grande São Paulo e alguns estados do Brasil, sempre alinhando rapidez e precisão, elementos essenciais para os diversos segmentos que atendemos.
Objetivamente, quais são hoje em dia os principais serviços e produtos oferecidos pela Açoservice?
Nosso core de serviços oferece cortes longitudinais (slitter) e transversais (chapas e blanks) de aços carbono, inox, silício e alumínio, logística de entregas fracionadas on-demand. Também trabalhamos com uma gama nichada de materiais para atender aos nossos clientes no que chamamos de “full-service”, ou seja, matéria-prima com serviço acoplado. Com base no entendimento aos clientes, além de controlarmos sua matéria-prima, nossa equipe consegue sugerir materiais específicos, direcionando-os para sua melhor aplicação, bem como aproveitamento, a fim de eles obterem a máxima performance em termos de utilização dela. Além disso, nosso lead time também é um grande diferencial. E outra coisa importante: não importamos materiais. Mas, se nosso cliente importar, estamos sempre aqui para atendê-lo com o máximo prazer.



Sabemos que a Açoservice goza de uma situação bastante estável no mercado, com uma extensa carteira de clientes cativos. Qual a atual participação que ela tem nesse cenário?
Olha, temos que colocar às mãos para os céus, e agradecer realmente aos nossos clientes. Na verdade, não se fala mais no mercado em termos de clientes cativos, clientes fiéis. Isso não se vê mais. Mas em nossa pesquisa de satisfação, sempre medimos o Net Promoter Score NPS, que avalia a probabilidade de que o cliente indique nossa empresa para conhecidos, familiares e outros clientes após sua experiencia de compra, dentro do conceito de “qual a probabilidade de você recomendar a Açoservice para um amigo”. E, felizmente, sempre somos surpreendidos com grandes promotores de nossa marca. Naturalmente, isso nos dá uma responsabilidade muito grande e faz com que nos empenhemos a cada dia que passa.
E como anda a convivência de vocês com as usinas brasileiras, que, cada vez mais estão passando a ter distribuidoras e unidades de processamento próprias para seus produtos?
Veja bem, essa dinâmica não é de hoje. Há tempos as usinas brasileiras adquiriram centros de serviços de distribuição, colocaram suas bandeiras ou criaram os seus próprios a partir do zero, no âmbito do greenfield. Esse é um movimento importante e, muitas vezes, necessário. Porém, acaba desviando o foco, seja ele de investimentos, seja de pesquisa e desenvolvimento em novos aços ou novas formas de consumi-los.
Como assim?
O que quero dizer é que o consumo de aço por habitante no Brasil está parado há décadas, por volta de 100kg. E, hoje, no mínimo, seria preciso dobrá-lo. Então, creio que esse deveria ser o foco de atuação e de esforço das usinas siderúrgicas. Ou seja, temos que criar mais consumidores! Não é papel da usina querer vender 2.000kg para um cliente. E o que é o valor? É o benefício menos o custo. Então, se fizermos as contas, não faz sentido ter toda uma estrutura como de uma usina siderúrgica para vender “picado”. Isso, literalmente, é jogar energia fora.

Atualmente, o setor de siderurgia no Brasil vive um momento de grandes transformações. E, em especial, algumas destas têm sido gestadas no campo da necessidade de adesão à pauta da ESG. O que significa esse desafio para vocês?
Acreditamos que a adoção de um programa de ESG impacta positivamente uma organização. Na verdade, o ESG é mais que um programa, é um compromisso com os seres humanos e com o meio ambiente. A pressão por parte dos stakeholders –, tais como consumidores, investidores e reguladores – estão fazendo as empresas se mexerem e a não ficarem mais com os braços cruzados. As regulamentações estão ficando cada vez mais acirradas, as falsas aparências de sustentabilidade (“greenwashing”) não estão mais sendo aceitas, e todos estão mais atentos, mais maduros no processo. Então, se as empresas não aderirem às práticas de ESG, um dia essas máscaras cairão e sua imagem, reputação irão ficar comprometidas, gerando com isso custos de “retrabalho” maiores do que seriam se elas já tivessem aderido às práticas de ESG. Assim, a verdadeira preocupação ambiental, social e de governança é crucial para a nossa sobrevivência. E não é simplesmente para termos um futuro mais sustentável: o futuro é “agora”! E não temos mais tempo a perder. Assim, estamos investindo muito ultimamente para nos conectarmos cada vez mais à pauta da ESG. E isso, em todos os seus aspectos de governança: ambiental, social e corporativa.
Como vêm se comportando os resultados da empresa este ano, e quais são as projeções de vocês para 2025 e para os próximos anos?
Estamos em plena expansão. Em termos de produção, estamos trabalhando em regime de um único turno de trabalho, com processamento de 27.600 ton/ano, sendo que essa capacidade pode chegar a 82.800 ton/ano. Ou seja, temos um espaço muito grande para crescer. E como a demanda vem aumentando, estamos ampliando nossa capacidade produtiva para os próximos anos, prontos para atender a novos projetos e às exigências do mercado. Em função disso, estimamos um crescimento bastante interessante de nossas operações para 2025, muito em função das mudanças que estamos fazendo atualmente em nossa empresa, turbinadas por investimentos no parque fabril, e também voltados para o fortalecimento da nossa área comercial.
Sem dúvida, esse é um processo de reinvenção absolutamente necessário. Em quais aspectos deles a Açoservice vem se debruçando atualmente?
Bem, neste exato momento estamos investindo na mudança de nosso layout, e adquirindo novas máquinas e equipamentos, tais como uma nova ponte rolante, um pórtico e um tombador de rolos. Além disso, estamos destinando recursos em duas principais frentes de operação. A primeira, para eliminação do gargalo no setor de Embalagem, a fim de aumentar nossa produtividade, reduzir ainda mais o nosso lead-time e os custos da logística, e também a ergonomia nos trabalhos de embalagem de rolos, entre outras coisas. E a segunda, é voltada à parte de distribuição de produtos. Estamos localizados na principal avenida de Diadema, temos uma exposição muito grande, um fluxo de carros intenso que faz com que nossa empresa seja notada facilmente. Aí, queremos aproveitar essa oportunidade para poder ofertar novos produtos, otimizando o uso dessa “vitrine natural”.