De acordo com a CRBio-01 Conselho Regional de Biologia 1ª região o Brasil largou na frente na transição energética, graças à forte participação em sua matriz energética das usinas hidrelétricas e da biomassa.
E na geração de energia eólica e solar, duas fontes que mais cresceram nos últimos anos, o país conta com um potencial de expansão imenso. A geração solar se beneficia de nosso país estar localizado próximo à linha do Equador. As condições são particularmente favoráveis na região do semiárido, que se estende pelos estados do Nordeste e norte de Minas Gerais, com forte irradiação solar e poucas nuvens e chuvas.
Em fevereiro de 2023, já haviam 890 parques eólicos onshore (no continente) instalados em 12 estados brasileiros, dos quais 85% estavam na região Nordeste (Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A próxima expansão da energia eólica no Brasil é o offshore, parques instalados no mar, comuns na Europa e China. No Brasil, que tem mais de 10 mil quilômetros de litoral e um território marinho com uma área de 5,7 milhões de quilômetros quadrados – a chamada Amazônia Azul –, o potencial da eólica offshore é gigantesco.
Transição injusta
O potencial das fontes renováveis de energia sempre é citado como uma oportunidade para o país reduzir suas desigualdades sociais.
No passado, o Brasil investiu pesado na construção de hidrelétricas, como Itaipu, no Paraná, e Belo Monte, no Pará. Essa opção permitiu que o país dispusesse hoje de uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis, mas ocasionou uma série de impactos sociais.
Recentemente um documentário da BBC News Brasil mostra o drama de famílias que vivem embaixo de aerogeradores de dois parques eólicos em Caetés, no sertão de Pernambuco. Os aerogeradores, foram construídos no início de 2014, antes das atuais exigências regulatórias, e há moradias residenciais a cerca de 150 metros da base de torres.
O documentário registra a reclamação de moradores que sofrem com estresse, ansiedade, depressão, insônia, dores de cabeça e perda parcial da audição além da permanente sombra das gigantescas pás em suas moradias e protestam quando as empresas contratam carros-pipa para a lavagem dos painéis, enquanto eles não dispõem de água para uso doméstico e irrigação da sua produção agrícola de subsistência.
Para lidar com essas questões, o Governo Federal estabeleceu em setembro de 2023 a Mesa de Diálogo Energia Renovável: Direitos e Impactos.
Na revista O Biólogo, do Conselho Regional de Biologia da 1ª Região, há uma edição inteiramente dedicada a transição energética no Brasil.