A Divisão de Máquinas da Anfavea apresentou o balanço do setor em 2024 e as expectativas para o próximo ano. Estão incluídas nesta divisão: Máquinas de Construção, onde estão tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, rolos compactadores, minicarregadeiras e manipuladores telescópicos e as máquinas agrícolas onde estão os tratores e as colheitadeiras.
A área de Máquinas de construção teve boa recuperação em 2024, após o recorde histórico de 2022 e a leve retração de 2023. Na comparação com o ano anterior, as vendas no atacado cresceram 22,4%, fechando com 37.148 unidades – segundo melhor ano do segmento no país.
Já as Máquinas Agrícolas viveram uma forte expansão no início desta década, em compasso com os resultados históricos do agronegócio brasileiro, inclusive durante a pandemia. Foram três anos de crescimento consistente, com um pico de mais de 70 mil unidades vendidas em 2022, entre tratores de roda e colheitadeiras de grãos.

No ano passado, o desempenho acabou prejudicado pela redução da safra de grãos, pela queda de preços das commodities pelo segundo ano consecutivo e pela atratividade limitada das linhas de financiamento. Com isso, as vendas de 48,9 mil unidades no atacado representaram recuo de quase 20% em relação a 2023. A queda foi mais evidente justamente no segmento de colheitadeiras, e não tanto no dos tratores.
Para este ano, não se espera mudança no patamar de vendas. Para as máquinas de construção, a ANFAVEA projeta vendas de 38.200 unidades, leve alta de 3% em 2025.
No segmento de máquinas agrícolas não se espera mudança no patamar de vendas.
Só uma política consistente de Plano Safra pode fazer o setor ter uma recuperação ao longo deste ano. Já as exportações de máquinas agrícolas tiveram queda de 31%, com envios de 6 mil unidades, e deverão crescer apenas 1% pelas projeções da ANFAVEA.

Importações fazem a diferença
O ponto de maior atenção no momento é para as importações. O crescimento acentuado dos importados transformou o superávit em déficit na balança comercial desde o ano passado, dobrando o déficit em 2024. Mais de 55% das máquinas importadas são oriundas da China, e 26% da Índia. A participação da China na importação de máquinas nas Américas, por sinal, dobrou em 2024; de 20,7% para 43% em de construção e de 7,7% para 12,7% em agrícolas.
“Nos causa grande preocupação o aumento da participação das máquinas importadas nas compras públicas, com destaque para as empresas com menos de 20 empregados. Estamos levando ao poder público essa questão que prejudica o nível de emprego no Brasil, a competitividade das nossas empresas, a inovação e até o atendimento dos clientes, que no final do processo sofrem com falta de uma rede confiável para assistência técnica. O resumo é que todos no país saem perdendo”, avaliou o Presidente da ANFAVEA, Márcio de Lima Leite.
Fonte: Anfavea