Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a alta da Selic é injustificada. “Com a decisão, o Banco Central mostra que continua ponderando equivocadamente os fatos econômicos mais relevantes do cenário atual, principalmente no que diz respeito ao quadro fiscal e à desaceleração da atividade do país”, diz Alban.
Com o aumento, a taxa de juros real do Brasil chega em 7,8% a.a., 2,8 p.p. acima da taxa de juros neutra, de 5% a.a., estimada pelo Banco Central. Isso indica que a política monetária está sendo restritiva, ressaltando que a política monetária do Brasil está em campo contracionista desde fevereiro de 2022.
Assim, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera injustificado o aumento de um ponto percentual (p.p.) na Selic, levando-a para 13,25% ao ano (a.a.). Segundo a entidade, a decisão não leva em conta os efeitos da aprovação do pacote fiscal, que ainda deve ser ampliado este ano, segundo declarações do governo federal, e a forte desaceleração do impulso fiscal, observada desde o segundo semestre de 2024 e que seguirá em 2025. Afinal, as despesas federais devem apresentar um crescimento real de 2,3% este ano, em comparação com um crescimento próximo a 4% em 2024, de acordo com as projeções da CNI.
A CNI ainda destaca que a decisão do Banco Central não considera a desaceleração da atividade econômica, observada já no PIB do terceiro trimestre de 2024, e mantida nos dados parciais do último trimestre, até novembro. Em novembro de 2024, a produção industrial caiu 0,6% em relação ao mês anterior, sendo o segundo mês consecutivo de queda. Ainda, a queda no volume vendido no varejo foi de 1,8% em novembro de 2024, revertendo o crescimento que havia sido registrado em outubro. Já nos serviços, houve recuo de 0,9% em novembro, praticamente anulando a alta que tinha sido obtida em outubro.
Fonte: CNI