Nota econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNADCT), do IBGE, aponta que o rendimento dos trabalhadores da indústria foi, em média, 9,6% superior ao dos funcionários da agropecuária e dos serviços, no 4º trimestre de 2024. No setor de indústria extrativa, a diferença chega a 30%. A CNI comparou a remuneração de profissionais com mesma escolaridade, experiência, tempo de casa, sexo, região, raça/cor e formalidade
Segundo a pesquisa, o diferencial de rendimento da indústria em relação aos demais setores não é sazonal. Pelo contrário, é algo que se mantém ao longo dos anos. Entre 2021 e 2024, oscilou entre um mínimo de 8,6%, no 3° trimestre de 2022, e um máximo de 10,5%, no 3° trimestre de 2021. Para o Superintendente de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, fatores como produtividade maior, oferta de salários melhores para reter talentos e predominância de empresas de médio e grande portes, que valorizam profissionais com maior escolaridade, ajudam a compreender a diferença de remuneração.
O principal objetivo da pesquisa era descobrir se a indústria paga melhores salários, de fato, ou se ela apenas concentra trabalhadores que, devido às suas características, como experiência, escolaridade, formalização e região de moradia, seriam sempre mais bem remunerados, independentemente do setor no qual estivessem alocados. Sem isolar tais características, os trabalhadores da indústria receberam 15,8% a mais, em média, do que os demais funcionários do setor privado. Trata-se de um salário médio de R$ 3.022,87, enquanto os trabalhadores dos serviços têm rendimento médio de R$ 2.682,82, e os da agropecuária, de R$ 1.792,74.
Ainda segundo o levantamento, uma das características que ajuda a explicar o diferencial de rendimento dos trabalhadores da indústria é a menor proporção de informalidade do setor. Na indústria, o percentual de trabalhadores informais é de 23,7%, contra 31,9% nos serviços e 56,8% na agropecuária. Outro aspecto por trás dos salários médios mais altos na indústria é a proporção de funcionários com alto nível de escolaridade. O percentual de indivíduos com ensino superior completo é de 2,7% entre os empregados da agropecuária, sobe para 15,4% entre os trabalhadores da indústria, e para 21,3% no setor de serviços.
Fonte: CNI