Um dos pontos altos do Congresso Aço Brasil 2025, realizado nos dias 26 e 27 de agosto em São Paulo, foi o Painel que reuniu alguns Presidentes e CEOs das siderúrgicas instaladas no Brasil para tratar das prioridades e das perspectivas para o setor. Ele foi coordenado por Marco Polo de Melo Lopes, presidente executivo do Instituto.

Como assunto recorrente a importação de aço da China tomou conta da maioria das falas dos convidados que deixou entrever que as medidas adotadas para a defesa da indústria nacional não são condizentes com as necessidades, citando o governo dos EUA, como exemplo de uma ampla defesa da indústria local, mesmo que isso tenha causado a grande controvérsia mundial. Também foi destacado que o setor precisa se preocupar em comunicar de forma mais estratégica suas vantagens competitivas, como os aspectos ligados a sustentabilidade do aço nacional e o impacto econômico da cadeia do aço.
Participante do painel Silvia Nascimento que é presidente da AVB – Aço Verde Brasil disse que: “Se a situação continuar a se deteriorar, corremos o risco de perdas irreversíveis. Precisamos de um plano que envolva medidas comerciais, políticas e industriais de curto, médio e longo prazo”.
Por sua vez o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos Latam, Jorge Oliveira, destacou que a perda de previsibilidade afeta diretamente a expansão. “O setor precisa de estabilidade para decidir onde e como investir. Os estoques mostram que a indústria já está pressionada pela entrada predatória de importados. Se não houver uma agenda clara de defesa comercial, novos projetos ficarão comprometidos”, disse em uma clara alusão de que os valores previstos para investimentos que haviam sido divulgados no Congresso do ano passado certamente serão alvo de estudos e sofrerão alterações.
Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, que recentemente, quando da divulgação dos resultados recentes da empresa afirmou que estavam redirecionando seus investimentos, chamou a atenção para a dificuldade crescente de decidir sobre novos investimentos. “Esse debate não é só nosso, mas também de parceiros da cadeia, como o setor de sucata e nossos clientes. Toda decisão de alocar capital precisa estar acompanhada da expectativa de retorno. Sem previsibilidade, empresários começam a questionar se vale a pena continuar investindo no Brasil”. Dá para entender que os investimentos poderão ser deslocados para outros locais onde a empresa mantem negócios.
Finalizando, Armin Andreas Wuzella, Diretor-Presidente da Villares Metals, abordou os impactos nos segmentos de alta complexidade. “Mesmo em produtos sofisticados, temos visto aumento considerável de importações. A concorrência externa avança e, sem uma resposta estruturada e ágil, corremos o risco de enfraquecer o segmento premium da nossa indústria”, avaliou.
Fonte: Congresso Aço Brasil










