Projetar o futuro e suas implicações tem sido um desafio até para os mais experientes futurólogos, seja na siderurgia, seja no agronegócio, na construção civil ou mesmo em nossas vidas pessoais. Desde que o bom senso e o profissionalismo foram deixados de lado em favor de ideologias e disputas políticas, tudo se tornou quase impossível de administrar.
No Congresso Aço Brasil, a insatisfação do setor foi expressa com ainda mais força. A indústria se vê acuada pelo excesso global de aço e pela pressão da China, que hoje responde por mais de 50% da produção mundial, e busca mercados para escoar esse volume. O Brasil é visto como um “eldorado comercial”, onde cada vez mais fatias do mercado vão sendo tomadas pelos produtos chineses ou vindos do Oriente.
Durante dois dias do evento, especialistas abordaram temas como competitividade, transição energética e os desafios dos principais consumidores de aço diante da escalada das importações. CEOs e dirigentes de usinas e do Instituto elevaram o tom, lembrando que já houve desativação de unidades, criticando a lentidão e a falta de proteção à indústria nacional por parte do governo e reiteraram o pedido de providências.
Na mesma linha, semanas depois, no lançamento da 14ª edição do Anuário Sicetel/Abimetal, empresários reunidos na Fiesp foram enfáticos e diretos: o governo gasta muito, e gasta mal. E sua principal meta parece ser simplesmente aumentar impostos. A invasão de produtos chineses e as novas tarifas norte-americana que entraram em vigor, foram destaque, já que estas novas regras, causam prejuízos severos às exportações brasileiras. As medidas dos EUA, embora prejudiciais ao Brasil, foram citadas como exemplo de defesa firme de um governo preocupado com os interesses nacionais, valorizando a sua indústria, seus empresários e empreendedores. É uma atitude antipática ao mundo mas que protege os seus cidadãos.
Esta edição também carrega uma dor profunda: a partida de nossa diretora e produtora, Maria da Glória, uma das fundadoras da Grips Editora. Nossa homenagem e reconhecimento estão em cada linha da longa série dessa nossa publicação, em especial, nas linhas desta edição, dedicadas a ela com muito carinho.
Seguimos com o agronegócio, que deve novamente liderar a balança comercial brasileira. A safra de grãos, favorecida pelo clima, promete bater recordes. Boa notícia para a siderurgia nacional, já que o agro é um dos três pilares do consumo de aço no país, ao lado da indústria automotiva e da construção civil. Aliás, a construção civil também ganhou espaço nesta edição, com uma matéria que aponta tendências e projeções para o setor.
Destacamos ainda em nossas páginas a segunda parte de um artigo técnico sobre niveladoras, elaborado por uma de nossas mais fiéis parceiras internacionais da área de máquinas para processamento de aço.
Nem tudo, porém, segue como esperado. É o que revelam os dados da Anfavea, que vocês encontram na seção “Estatísticas”, demonstrando que apesar da conquista de alguns recordes, a entidade registra uma queda acentuada na produção e venda de caminhões pesados, quando o cenário agrícola promissor deveria indicar o oposto. E isso indica que a persistência de uma das maiores taxas de juros do mundo continua a comprometer seriamente o desempenho desse segmento.
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Boa leitura!
Henrique Isliker Patria
henrique@grips.com.br










