As exportações de sucata ferrosa, insumo utilizado na fabricação do aço, continuaram em outubro a tendência de alta. No mês, atingiram 65.983 toneladas, um aumento de 48,6% em relação ao mesmo mês de 2024, com 44.408 toneladas. No ano, até o final de outubro, já alcançaram 738 mil toneladas, elevação de 22,4% sobre igual período do ano passado, com 602.780 toneladas, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.

“As exportações continuam altas neste ano e devem bater o recorde de 800 mil toneladas registrado em 2023. O que não entendemos é como um país com tanto minério de ferro e uma das matrizes energéticas mais sustentáveis do mundo sofre com o atual cenário negativo da indústria de aço e cadeia do setor. Onde estamos errando?”, questiona Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a economia circular, reinserindo materiais reciclados no ciclo da transformação.
Para Alvarenga, com o mercado interno retraído e queda de preços da sucata ferrosa, a alternativa tem sido as exportações de volumes excedentes, como forma de manter a subsistência das empresas do setor e estimular a coleta pelos catadores, o segmento mais frágil do ciclo da transformação e que mais sofre com a atual crise da cadeia do aço.
Alvarenga lembra que o Brasil exporta apenas o excedente de sucata não consumido no mercado interno. “A demanda no País se mantém fraca desde o início do ano pela falta de competitividade das usinas siderúrgicas com o aço importado e de apetite pela sucata ferrosa”, diz.
Conforme pesquisa da S&P Global Platts, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmarks para os mercados de commodities, “a Índia respondeu por 72% de todas as exportações brasileiras de sucata ferrosa no ano de 2025, com embarques em alta de 43% no comparativo anual, somando 533.385 toneladas entre janeiro e outubro de 2025, frente a 373.055 toneladas no mesmo período de 2024. O país segue como principal destino do material brasileiro, seguido por Bangladesh e Paquistão, que juntos representaram outros 14% do total exportado.
Na América do Sul, a Bolívia saltou de 381 toneladas em 2024 para 20.162 toneladas (+5.190%), enquanto o Paraguai aumentou de 4.061 t para 14.020 t (+245%), ambos impulsionados por operações siderúrgicas com capital chinês e pela maior demanda regional por sucata, de acordo com as fontes ouvidas.
COP30 e PEC da Reciclagem
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reciclagem nº 34/2025, de autoria do deputado federal Arnaldo Jardim, que obteve 185 assinaturas dos parlamentares, é uma das soluções mais votadas entre aquelas apresentadas pela sociedade civil na COP30, conforme informação do Inesfa. A entidade está empenhada na aprovação da PEC, que propõe alterar a Constituição Federal para corrigir distorções ocasionadas pela Reforma Tributária e assegurar aos insumos reciclados tributação inferior a incidente sobre matérias-primas virgens extraídas da natureza.
Nesta terça-feira, dia 11, às 14h, o Inesfa, presente na COP30, em Belém, participa de painel no estande da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), para falar sobre a descarbonização da economia circular. “Queremos mostrar a importância da PEC a todas as personalidades relevantes presentes no evento, além de como a reciclagem contribui para a preservação do planeta”, afirma Alvarenga.










