Para a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia, que entrou em vigor em janeiro de 2026, representa uma potencial janela estratégica de ampliação do acesso da indústria brasileira do alumínio ao mercado europeu. Entretanto, as atuais limitações metodológicas do mecanismo impedem que esse objetivo seja plenamente alcançado.
Segundo a entidade, atualmente o CBAM considera apenas as emissões diretas (Escopo 1) do processo produtivo, desconsiderando emissões indiretas associadas à energia elétrica adquirida (Escopo 2), que conforme o International Aluminium Institute (IAI), representam 60% das emissões da cadeia do alumínio. A ABAL destaca que a inclusão das emissões indiretas (Escopo 2) é fundamental para que o mecanismo cumpra efetivamente seu propósito de diferenciar produtores com base no desempenho climático real, refletindo as diferenças entre matrizes energéticas e incentivando de fato a transição para fontes renováveis e limpas.
Ao desconsiderar 60% das emissões da cadeia, o CBAM acaba por não reconhecer os investimentos em descarbonização realizados por produtores que utilizam matrizes energéticas limpas, enfraquecendo o próprio incentivo à transição energética que o instrumento pretende promover. Além disso, a ABAL ressalta a necessidade de que mecanismos climáticos adotem transparência metodológica, alinhada a padrões internacionalmente reconhecidos, como a ISO da série 14000 e o GHG Protocol, garantindo comparabilidade, previsibilidade e competitividade entre regiões.
A ABAL também manifesta preocupação com a forma como o alumínio reciclado é tratado no contexto regulatório internacional, uma vez que é classificado como alumínio bruto, sem distinção de sua origem, primária ou reciclada, desconsiderando sua principal vantagem ambiental. O alumínio reciclado (secundário) emite até 95% menos gases de efeito estufa em comparação ao alumínio primário, sendo uma das principais rotas de descarbonização do setor.
A entidade ainda destaca que a União Europeia tem potencial para se tornar um parceiro comercial mais relevante para o setor. Em 2025, a União Europeia foi destino de US$ 391 milhões das exportações da indústria brasileira do alumínio (considerando toda a cadeia) ou 6,8% do total de US$ 5,78 bilhões exportados.
Fonte: Claudia Martins < claudia.martins@gbr.com.br> Assessoria de imprensa










