Henrique Pátria

Em reunião concorrida, a Anfir – Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários – recebeu jornalistas para apresentar seu balanço e projeções para o ano que começa. O presidente José Carlos Spricigo detalhou o desempenho do setor, grande consumidor de aço e alumínio, e mostrou-se otimista, mas atento às dificuldades que o país enfrenta. Segundo ele, apesar do empenho dos empresários, faltam programas de desenvolvimento e condições que permitam expansão econômica consistente. Para exemplificar, citou o agronegócio, que novamente bate recordes na produção de grãos, é extremamente dependente do transporte rodoviário. Contudo, os altos juros travam a renovação das frotas, e os números confirmam: o segmento de caminhões pesados sofreu no ano passado forte retração, sendo a área mais afetada da indústria automobilística, com reflexos diretos nos implementos rodoviários.
Analisando o balanço de 2025, foi registrada queda de 6,28% no mercado interno, parcialmente compensada pelo avanço de 43,39% nas exportações. Mas lembramos que em nosso portal noticiamos que ao longo do ano, empresários ligados à Anfir participaram de diversos eventos internacionais, liderados pela Anpex, em busca da ampliação de fronteiras comerciais. Os números mostram que objetivos foram alcançados.

Na análise de perspectivas, Spricigo destacou que o FMI projeta crescimento global de 2,9% em 2026, enquanto para o Brasil a expectativa é de 1,6%, contra 1,8% previsto pelo Banco Central. Para ele, os números confirmam a ausência de grandes projetos e de políticas de desenvolvimento sustentável. O cenário mundial segue marcado por incertezas geopolíticas, instabilidade nas cadeias de suprimentos e disputas tarifárias iniciadas pelos EUA e já espalhadas por outros países. Há, porém, sinais positivos, como a incorporação da inteligência artificial às linhas de produção, reduzindo custos e ampliando eficiência além do desenvolvimento de novos produtos com mais tecnologia embarcada.
A expectativa para o Brasil, é esperarmos a queda gradual dos juros ainda no primeiro trimestre e o início da reforma tributária, capaz de alterar cenários relevantes. A Anfir projeta encerrar o ano com taxa básica em 12,25% e IPCA próximo de 4%. Para 2026, o presidente alertou para pontos negativos, como a queda de 23,57% em janeiro, atribuída às férias coletivas prolongadas, aos juros elevados e à inadimplência recorde de 8,7 milhões de CNPJs negativados em outubro. Nas também há fatores positivos como a retomada do crescimento após o carnaval, impulsionada pela renovação da frota de caminhões via programa Move Brasil, que destina cerca de R$ 10 bilhões com juros reduzidos. Deve ser um impulso para o setor de veículos pesados; expansão da colheita de grãos com recordes de safra em 2026; e a movimentação do varejo incentivadas por eventos como a Copa do Mundo, as própria eleições além de incentivos naturais como a manutenção da tabela de fretes e a realização da Fenatran

Além disso, a queda dos juros nos EUA, incentivada pela necessidade de regularização dos déficits comerciais daquele país, e um dólar mais fraco poderão atrair novos investimentos para o Brasil. Questionado sobre insumos, Spricigo afirmou não haver dificuldades no momento com o fornecimento de aço e alumínio. Concluiu prevendo estabilidade com leve crescimento em 2026, mesmo considerando que o setor está operando hoje com 30% de ociosidade.










