Entidades do setor apostam em soluções possíveis para o aumento de sua atividade no ano que se inicia.
Marcus Frediani
E deu o esperado. Ou mais ou menos. Após um desempenho robusto em 2024, impulsionado pelo boom de vendas e lançamentos imobiliários, o setor da construção civil apresentou perda de ritmo em 2025, apesar de ter mantido um crescimento positivo. Os “culpados”? Bem, nenhuma novidade: as altas taxas de juros, que encareceram os financiamentos, a desaceleração do consumo das famílias, muito tracionada pela inflação e ainda, a escassez e custos crescentes de insumos e de mão de obra, além da escassez da qualificação desta última para tocar um maior número de novos projetos.

Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção–M (INCC-M) encerrou o ano com variação acumulada de 6,10% em 12 meses, indicando leve desaceleração em relação a 2024, quando o índice havia registrado alta de 6,34%. Ainda assim, os custos da construção civil permaneceram em patamar elevado, especialmente quando comparados a 2023, ano em que o INCC-M avançou 3,32%, evidenciando a intensificação das pressões de custo a partir de 2024. E, enquanto o grupo Materiais, Equipamentos e Serviços apresentou comportamento heterogêneo ao longo dos últimos três anos, o custo com mão de obra manteve-se como um importante fator de pressão sobre o INCC-M no mesmo triênio. Em 2023, o grupamento acumulou alta de 6,60%, acelerando para 8,24% em 2024 e alcançando 9,23% em 2025, evidenciando um movimento contínuo de encarecimento desse componente no custo da construção.
Tal combinação desfavorável de fatores já vinha sendo pedra cantada desde agosto do ano passado, quando o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) revisou para baixo a projeção de crescimento do setor em 2025. Com isso, a estimativa da entidade passou de um crescimento de 3% para 2,2%, ou seja, menos da metade da evolução registrada em 2024, que foi de 4,3%, o que, efetivamente, se confirmou. Mesmo assim, o PIB da construção civil brasileira cresceu 1,3% em 2025, ante o resultado de 2024.
Por conta disso, na avaliação de Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP o resultado não deixou ser positivo. “2025 foi um ano bom, com crescimento. E temos muita esperança de que, em 2026, o desempenho do setor possa ser superior ao do ano passado, a partir da redução da taxa de juros, o que, na minha opinião, poderia começar a ter sido feito pelo Copom já no mês de janeiro deste ano, sem complicações inflacionárias”, afirma. E isso, naturalmente, também abre boas perspectivas para a indústria siderúrgica nacional.
No cenário mais otimista para 2026, a entidade espera que o PIB da construção cresça 3,1%. No pessimista, 2,1%. E o intermediário aponta 2,8% para o setor – e 2,7% para o total da economia. Entre os fatores de otimismo, estão, além de juros menores, a expectativa de valor recorde para os investimentos em infraestrutura – R$ 300 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e programas governamentais, como o Reforma Casa Brasil e o Minha Casa, Minha Vida. Até 30 de novembro, o MCMV teve 678 mil unidades contratadas. Em 2024, foram 729 mil.

Atrelado a isso, o SindusCom-SP já sinalizou, entretanto, que o Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil em São Paulo já registrou uma alta de 0,28% em janeiro de 2026. Com o resultado, o índice acumula elevação de 0,28% no ano e de 4,19% em 12 meses. No mês, os custos com materiais de construção avançaram 0,46%, variação que também se repete no acumulado do ano, já que janeiro abre a série de 2026, além de alta de 2,55% em 12 meses. A mão de obra subiu 0,17% no mês e no ano, com avanço de 5,28% em 12 meses.
Enquanto isso, as despesas administrativas, que refletem os salários dos engenheiros, ficaram estáveis, mantendo alta de 6,40% em 12 meses. Com esse desempenho, o CUB representativo da construção paulista (padrão R8-N) atingiu R$ 2.129,86 por metro quadrado. “Porém, nas obras incluídas na desoneração da folha de pagamentos, o CUB registrou alta de 2,08% em janeiro. Com isso, o índice acumula elevação de 2,08% no ano e de 5,97% em 12 meses. O custo médio da construção paulista (padrão R8-N) com desoneração fechou o mês em R$ 2.057,89 por metro quadrado.
Já falando dos custos dos insumos, a entidade informa que entre os materiais de construção, destacaram-se no mês as altas do fio de cobre antichama isolado 750 V 2,5 mm! (3,58%), da bacia sanitária branca com caixa acoplada de 6 litros (2,08%) e do disjuntor tripolar de 70 A (1,68%). Em 12 meses, os maiores aumentos foram registrados na janela de correr de duas folhas 1,2″1,2 m (10,79%), no fio de cobre anti-chama isolado 750 V 2,5mm! (9,48%) e no tubo PVC-R rígido para esgoto de 150 mm (8,99%), acima da variação do IGP-M no período.
FATORES FAVORÁVEIS
E a previsão de que em 2026 o setor da construção brasileiro deve apresentar um desempenho superior ao registrado em 2025 também é compartilhada pela a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). De acordo com Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente executivo da entidade, tal expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores, entre os quais o início do ciclo de redução da taxa de juros, pelo orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança, bem como pelo aumento dos investimentos em infraestrutura. “Nesse cenário, CBIC projeta um crescimento de 2% para o setor em 2026, o que corresponderá ao terceiro ano consecutivo de alta, destacou ele durante a Coletiva de Imprensa realizada online no dia 11 de fevereiro.
Contudo, na ocasião Ferreira não deixou também de salientar um desafio que se apresenta para que tal projeção aconteça: “A carga tributária passou a ser a principal preocupação do empresário da construção, sobretudo diante das incertezas sobre os impactos da Reforma Tributária e das mudanças que ainda serão implementadas no setor, envolvendo obrigações acessórias, modelos de tributação e possíveis alterações nos incentivos fiscais. Além disso, os juros elevados continuam afetando as operações do setor enquanto a escassez de mão de obra qualificada também segue como um desafio para as empresas”, sublinhou.
MAPA DA SUSTENTABILIDADE DO SETOR
Sustentabilidade é assunto sério no setor da construção civil. E o esforço nessa direção vem caminhando a passos largos. É o caso da Calculadora de Eficiência Energética e Emissões de Carbono da Construção Civil do SindusCon-SP (CECarbon).
Desenvolvida pela entidade paulista em parceria com o Ministério das Cidades e a Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ), a ferramenta de utilização gratuita possibilita a elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e do consumo energético das edificações, além de contribuir para escolhas de materiais e sistemas construtivos mais sustentáveis na fase de projetos das edificações. Saiba mais sobre a CECarbon clicando AQUl!










