Entre eleições, ideologias e responsabilidades coletivas, o Brasil precisa refletir sobre seu papel no cenário global, enquanto setores como mobilidade, construção civil, máquinas e ferrovias apontam caminhos de crescimento.
Há muitos anos em congressos, simpósios, palestras, artigos e debates, repete-se a constatação de que o Brasil não consegue engatar um ritmo de aceleração econômica sustentável, capaz de nos levar a um patamar diferente daquele no qual estamos mergulhados há décadas. Nosso crescimento tem sido pífio em relação ao desenvolvimento mundial. Apesar das diferenças econômicas, culturais e sociais, assistimos nesse mesmo período países com muito me nos recursos naturais e territoriais dispararem à nossa frente. Exemplos como Japão, China, Singapura, Vietnã e Taiwan mostram, com números, o que significa desenvolvimento e crescimento em todos os campos.
Assim, é hora de refletir. Estamos diante de uma nova eleição, por meio da qual cargos importantes de nossa combalida República serão preenchidos. Infelizmente, ideologias rasas ainda dominam parte da população, que se esquece de que estamos construindo um país para nós mesmos, nossos filhos e netos, e para a continuidade das empresas que sustentam nossa economia. É o momento de assumirmos nossa responsabilidade como cidadãos diante dos fatos.
Diante dessa realística análise, apresentamos com orgulho nosso trabalho inicial no ano de 2026: o Anuário da Siderurgia, que há 27 anos contribui para o planejamento, definição de rumos e investimentos das empresas, sempre com base em dados e conteúdos essenciais. Neste ano, o Anuário passou por uma profunda reformulação estrutural, que poderá ser conferida nas páginas seguintes. Mantivemos, contudo, o compromisso de trazer matérias elaboradas a partir de entrevistas com os principais stakeholders da imensa cadeia siderúrgica, a mais relevante no âmbito industrial do Brasil.
Iniciamos pela produção de aço no Brasil e na América Latina, trazendo o relato de um cenário de preocupações relacionado a sempre mais amplificada ameaça do aumento das importações, à manutenção de juros elevados no país e, ainda, ao excesso da produção mundial, que fazem parte do cotidiano dos principais CEOs e diretores do setor. Seguimos com os segmentos de Distribuição e Processamento de Aço, que registraram crescimento aquém do necessário em 2025, e dividem suas atenções entre a concorrência dos aços que vêm de fora e a criação de mecanismos capazes de assegurar a continuidade de seus mercados. Como as importações são tema central em qualquer conversa, buscamos opiniões e conselhos de especialistas nacionais e internacionais, que têm muito a ensinar.
Também analisamos o comportamento dos grandes consumidores, incluindo setores estratégicos da economia: Mobilidade, composta pelas montadoras de veículos; fabricantes de Motocicletas, Autopeças originais e de re posição, Ferramentas, Logística Avançada e tantos outros que geram milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil. Dentro dessa composição, destaca-se a Construção Civil, maior consumidora de aço no país, que chega a 2026 com expectativas positivas, impulsionadas pelo destravamento de obras públicas, como sempre acontece em anos eleitorais.
Completam esse quadro os setores de Máquinas e Ferrovias, que apresentaram consistentes avanços em 2025, e esperam manter sua curva ascendente. Já a preocupação com sustentabilidade e descarbonização permanece. Como se sabe, a emissão de gases pela siderurgia mundial precisa ser controlada para garantirmos a sobrevivência do planeta. Duas das mais prestigiadas usinas nacionais compartilham reflexões e medidas que refletem o desejo de toda a categoria.
Também foi alvo de nossas pesquisas o comportamento dos Metais não Ferrosos que respondem por uma fatia importante de nossa economia. A intensa volatilidade foi provoca da pelos anúncios do governo americano.
Por fim, a “cereja do bolo”: ferramentas modernas como Inteligência Artificial, Big Data e Data Lake já são realidade nas principais organizações. Apesar de todos os desafio e dificuldades de assimilação, elas não podem ser ignoradas. São instrumentos que transformam processos e ampliam resultados, e toda a cadeia da siderurgia brasileira precisa incorporá-los com urgência.
Este é o resumo do que preparamos e temos orgulho em apresentar. Agradecemos aos entrevistados e aos anunciantes que, mais uma vez, confiaram em nosso trabalho e nos incumbiram da responsabilidade de levar suas mensagens comerciais, que além da visibilidade terão o potencial de gerarem inúmeros no vos negócios.
Permitam-me, ainda, uma homenagem pessoal e especial à minha esposa e dedicada produtora da Grips Editora, Maria da Glória, que nos deixou em setembro de 2025, partindo para sua nova morada nos braços de Deus.
Henrique Isliker Patria
Editor-chefe – henrique@grips.com.br










