Segundo análises da Coface, Consultoria de gestão de risco de Crédito Internacional, o conflito deflagrado no Oriente Médio, que muitos estão considerando o início da 3ª grande guerra mundial, se o conflito se alongar poderá trazer sérios impactos macroeconômicos ao mundo principalmente no campo da energia. Veja a matéria:
Escalada no Oriente Médio: energia no centro da crise, riscos que vão muito além.
Paris, março de 2026 – A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã está exercendo forte pressão sobre os mercados de energia. Embora ainda não tenham sido registrados grandes impactos na oferta, os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz representam uma ameaça à economia global caso o conflito se prolongue.
Principais números:
20% do consumo global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz
Até US$ 147 por barril: nível histórico que o Brent pode superar em caso de interrupção prolongada.
“Um conflito limitado a alguns dias ou semanas – o cenário mais provável no momento – deve ter impacto restrito. No entanto, se o confronto se prolongar, o impacto macroeconômico poderá ser significativo e ir além da questão dos preços da energia”, afirma Ruben Nizard, Head de Pesquisa Setorial da Coface.
Efeito imediato de curto prazo nos mercados de energia
Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã marcam um ponto de inflexão importante para os mercados de energia. Na abertura dos mercados na manhã de segunda-feira, o Brent subiu mais de 10%, refletindo principalmente o aumento do prêmio de risco geopolítico, e não interrupções concretas e imediatas na oferta.
Antes da escalada, o mercado de petróleo operava amplamente em situação de excedente. A oferta abundante, impulsionada por produtores fora da OPEP+ e pela rápida recomposição de estoques, mantinha os preços pressionados (média de US$ 68 por barril em 2025). O conflito altera esse cenário, reintroduzindo elevada incerteza quanto à segurança do abastecimento.
Estreito de Ormuz: um gargalo estratégico de energia
O principal risco concentra-se no Estreito de Ormuz, por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo e quase 30% das exportações marítimas de petróleo bruto. As atuais tensões já vêm pressionando os preços.
A capacidade de contornar esse estreito é limitada e insuficiente para absorver um choque significativo. Interrupções prolongadas ou recorrentes poderiam levar o Brent para níveis de três dígitos, com possibilidade de superar o pico de fevereiro de 2022 (US$ 122 por barril) ou até mesmo o recorde de 2008 (US$ 147 por barril).
Petróleo: risco de destruição de infraestrutura
Embora o Irã não seja o maior produtor da região, uma interrupção em sua oferta teria impacto imediato em um mercado já fragilizado. Com produção superior a 3 milhões de barris por dia e exportações próximas de 1,5 milhão — principalmente para a China — qualquer interrupção obrigaria compradores, especialmente na Ásia, a buscar alternativas mais caras, intensificando a pressão altista sobre os preços.
Além da possível interrupção do fornecimento iraniano ou do fechamento do Estreito de Ormuz, o Irã poderia também atingir infraestruturas petrolíferas em outros países do Golfo. O impacto dependeria da extensão dos danos e da duração das interrupções, em um contexto em que a capacidade ociosa da OPEP+ — estimada entre 4 e 5 milhões de barris por dia — permanece limitada e concentrada, sobretudo na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, onde fluxos logísticos também poderiam ser afetados.
Efeitos em cadeia muito além do petróleo
Os riscos vão além do mercado de petróleo. O Estreito de Ormuz é igualmente crucial para o transporte de gás natural liquefeito (GNL), fertilizantes, metais industriais (como alumínio) e produtos petroquímicos. Além disso, outros pontos estratégicos, como Bab el-Mandeb (estreito que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden) ou o Canal de Suez, também poderiam ser impactados em caso de escalada regional, elevando custos de frete e prêmios de seguro marítimo.
Essa perturbação gradual das cadeias de suprimento aumenta o risco de escassez e pressões inflacionárias, especialmente para economias mais dependentes de importações de energia.
Risco de longo prazo: choque macroeconômico global
Um cenário extremo, com preços do petróleo acima de US$ 100 por barril de forma sustentada, poderia desencadear nova aceleração da inflação global e forçar bancos centrais a reverterem suas estratégias, passando de um ciclo de flexibilização monetária para um aperto generalizado. Um aumento prolongado de US$ 15 no preço do Brent poderia reduzir o crescimento global em cerca de 0,2 ponto percentual e adicionar quase 0,5 ponto percentual à inflação. Nesse contexto, o risco de estagflação — combinação de baixo crescimento com inflação elevada — voltaria a se tornar uma ameaça concreta à economia global, com consequências relevantes para empresas e comércio internacional.Sobre a Coface
Com 80 anos de experiência global em gestão de risco de crédito comercial, a Coface apoia mais de 100 mil empresas em cerca de 200 mercados, oferecendo soluções como Seguro de Crédito, Informações Comerciais (Business Information) e Cobrança de Dívidas.
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