No dia 28 de abril, participamos como convidados da Assembleia Geral da Anfir – Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários.
Em conversa com o presidente da entidade, José Carlos Spricigo, ficou evidente que, apesar de março ter apresentado resultados mais animadores, o setor ainda enfrenta um cenário desafiador. Os números do primeiro trimestre permanecem inferiores aos registrados no mesmo período de 2025, o que gera preocupação. Spricigo, contudo, lembrou que historicamente o segundo semestre concentra cerca de 60% das vendas anuais, e espera que essa tendência se repita em 2026, garantindo ao menos um crescimento modesto, mas positivo, ao final do exercício.

Henrique Pátria – revista Siderurgia Brasil
O presidente destacou também as promessas feitas pelo governo durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), voltadas ao destravamento de financiamentos para o agronegócio – um setor que tem sido fundamental para sustentar a demanda por implementos rodoviários.
A Anfir, que celebra 45 anos de atuação, reúne atualmente 199 associadas e 1.444 afiliadas, responsáveis por cerca de 95% da produção nacional de implementos rodoviários. Esses equipamentos movimentam aproximadamente 65% de todas as cargas transportadas no Brasil, evidenciando a relevância da entidade para a logística nacional.
Os dados apresentados na Assembleia confirmam a retração do mercado: no primeiro trimestre de 2026 foram vendidas 30.841 unidades, contra 35.728 no mesmo período de 2025, uma queda de 13,68%. Entre os segmentos, os Reboques e Semirreboques recuaram 14,61%, enquanto as Carrocerias sobre Chassis caíram 12,69%.
Apesar do cenário interno, Spricigo ressaltou o bom desempenho das exportações. Em 2025, foram embarcados 5.093 Reboques e Semirreboques, contra 3.046 em 2024, um crescimento expressivo de 47,37%. Esse avanço foi impulsionado pelo programa Move Brasil, em parceria com a ApexBrasil. Em 2026, já ocorreram três rodadas de negócios internacionais – no Chile, República Dominicana e Panamá – que resultaram na exportação de 1.045 unidades apenas no primeiro trimestre, representando alta de 16,76% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As projeções da Anfir para 2026 apontam para a venda de 150 mil unidades, considerando os indicadores de mercado disponíveis. A CNI estima crescimento do PIB em torno de 2%, enquanto a inflação, que em março alcançou 4,14%, superou as previsões iniciais de 3,8%. Spricigo lamentou que a esperada queda dos juros não se concretize, em razão do desequilíbrio fiscal enfrentado pelo governo. Em ano eleitoral, acrescentou, é improvável que esse quadro se altere significativamente.
Entre os fatores de preocupação, o presidente citou a inadimplência e o elevado endividamento de empresas e famílias, além da dificuldade de acesso ao crédito. Também mencionou os impactos das guerras em curso no cenário internacional, que afetam os custos de insumos e combustíveis. Como pontos positivos, destacou a continuidade do programa Move Brasil, a boa performance do agronegócio e a realização da Fenatran, tradicional vitrine para o setor.
A Assembleia prosseguiu com a apresentação e aprovação das contas da gestão 2025, além de ajustes nos estatutos da entidade. O encontro foi encerrado com palestra do engenheiro Cleber Vieira, consultor da plataforma Agroconsult, que apresentou projeções para 2026 de produtos estratégicos para a economia brasileira, como soja, milho e algodão.







