De acordo com dados recentes, a União Europeia gerou 71% de sua eletricidade a partir de fontes limpas em 2024, incluindo renováveis e energia nuclear. No segundo trimestre de 2025, o continente bateu novo recorde, com 54% da eletricidade proveniente apenas de fontes renováveis. Enquanto a Europa acelera investimentos e regulações para consolidar uma indústria de baixo carbono, o Brasil surge como um dos países com maior potencial competitivo para liderar essa nova fase, impulsionado por sua matriz energética limpa, abundância hídrica e reservas de minério de ferro de alta qualidade.

Para o Diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Valdomiro Roman, esse cenário reforça que a descarbonização industrial deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma exigência competitiva imediata. “A indústria de base está no centro da transição energética. Não existe economia verde sem aço, sem mineração e sem minerais estratégicos. O que muda agora é a forma como esses insumos serão produzidos, e o ferro ou aço verde passam a ser protagonistas dessa nova ordem industrial”, afirma.
Apesar de ainda estar atrás da Europa em termos regulatórios, o Brasil reúne condições naturais altamente favoráveis para se tornar um dos protagonistas globais do ferro verde. “O Brasil tem minério de ferro de alta qualidade, água recursos hídricos abundantes e uma matriz elétrica extremamente limpa. Isso torna muito lógico produzir ferro ou aço verde aqui, seja via redutores alternativos como hidrogênio verde ou por rotas mais sustentáveis, com carvão vegetal, forno elétrico, matérias-primas pré-reduzidos ou recicladas. O potencial existe e é enorme”, explica Roman.
Outro conceito que ganha força nesse novo cenário é a separação entre a produção de ferro verde e a fabricação do aço final. Para José Noldin, CEO da GavititHy, uma iniciativa francesa criada para liderar a descarbonização das siderúrgicas europeias, essa lógica será determinante para acelerar a descarbonização do setor. Ele compara o processo ao funcionamento de uma padaria. “A siderúrgica deve focar no aço, assim como a padaria foca no pão. O ferro verde seria como a farinha: precisa ser produzido onde há energia limpa, boa logística e competitividade. Depois, ele abastece as siderúrgicas, que transformam isso em diferentes tipos de aço”, explica.
Fonte: Matheus Müller matheus.lima@gotcha.com.br Assessoria de imprensa







