Os números de maio confirmam que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos segue enfrentando um processo de desaceleração mais intenso e duradouro do que o esperado. Embora o consumo aparente tenha apresentado recuperação em relação a abril, esse movimento não foi suficiente para alterar o cenário de retração dos investimentos e de enfraquecimento da atividade do setor.
A demanda doméstica continua limitada, principalmente nos segmentos agrícola e industrial, que historicamente respondem por parcela significativa das vendas de máquinas. Ao mesmo tempo, o desempenho positivo das exportações ajuda a reduzir parte das perdas, mas permanece insuficiente para compensar a fragilidade do mercado interno.

Outro fator que preocupa é o avanço contínuo das importações, especialmente de equipamentos produzidos na China. A presença crescente desses produtos amplia a concorrência sobre a indústria nacional, reduzindo sua participação no mercado e dificultando a recuperação da produção.
Na avaliação do setor, o prolongado período de juros elevados tem provocado uma redução expressiva nos investimentos produtivos, comprometendo a renovação do parque industrial e a aquisição de novos equipamentos. Esse ambiente tende a prolongar a estagnação da atividade e pode gerar efeitos estruturais sobre a capacidade competitiva da indústria brasileira.
Mesmo que ocorra uma melhora das condições macroeconômicas nos próximos meses, a recuperação da produção nacional de máquinas não é considerada automática. Existe o risco de que uma eventual retomada dos investimentos seja atendida, em grande parte, por máquinas importadas, limitando os benefícios para os fabricantes brasileiros e reduzindo o impacto positivo sobre a geração de emprego, renda e valor agregado no país.
Fonte Abimaq.







