O mercado brasileiro de veículos deve voltar a superar a marca de 3 milhões de emplacamentos em 2026, patamar não registrado desde 2014. A perspectiva positiva, porém, vem acompanhada de um sinal de alerta: boa parte desse crescimento está sendo absorvida pelos veículos importados, especialmente os chineses, reduzindo os efeitos da recuperação sobre a indústria nacional.
A avaliação foi apresentada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que revisou suas projeções para o ano após o desempenho acima do esperado no 1º Semestre. A entidade elevou a expectativa de crescimento dos licenciamentos de 2,7% para 11,7%, enquanto a produção nacional deverá avançar apenas 5,8%, chegando a cerca de 2,8 milhões de unidades.

Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, a diferença entre o crescimento das vendas e da produção reflete o avanço das importações, favorecidas pela prorrogação, até o fim de 2026, das isenções do Imposto de Importação para veículos eletrificados montados nos regimes CKD e SKD. Embora descarte recorrer à Justiça, a entidade informou que estuda medidas administrativas para reverter a decisão do Gecex.
No 1º Semestre de 2026, a produção brasileira alcançou 1,372 milhão de veículos, alta de 8,8%, enquanto as vendas de automóveis cresceram 23,7%, impulsionadas pelo programa Carro Sustentável, e pela expansão dos modelos eletrificados, que já representam 20,9% das vendas de veículos leves.
No comércio exterior, o cenário é mais preocupante. As exportações recuaram 21,2% no período, pressionadas principalmente pela perda de participação no mercado argentino, enquanto as importações atingiram 280,6 mil veículos, sendo metade proveniente da China. O resultado devolveu o Brasil ao déficit na balança comercial automotiva, e reforçou a preocupação da indústria com o avanço dos importados sobre um mercado interno em franca recuperação.
Fonte: Anfavea







