Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil encerraram o primeiro semestre de 2026 em forte retração. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que o consumo aparente nacional caiu 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo a fraqueza da demanda interna e os efeitos dos juros elevados sobre o investimento produtivo.
Em junho, o consumo aparente somou R$ 33,9 bilhões, avanço em relação a maio, mas ainda 7% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. As vendas de máquinas produzidas no país apresentaram desempenho ainda mais fraco: a receita no mercado interno recuou 11,8% em junho e acumula queda de 17% no primeiro semestre.
A receita líquida total da indústria atingiu R$ 24,2 bilhões em junho, valor 10,7% inferior ao de um ano antes. No acumulado de 2026, a retração chega a 13,6%, com destaque negativo para o segmento de máquinas agrícolas. Em contrapartida, equipamentos destinados às obras de infraestrutura ajudaram a amenizar a queda do setor.

As exportações continuam sendo o principal fator de sustentação da indústria. Em junho, os embarques cresceram 3,4% sobre igual mês de 2025, alcançando US$ 1,08 bilhão. No semestre, a alta foi de 12,7%. Entretanto, a valorização do real frente ao dólar reduziu o impacto positivo dessas vendas sobre o faturamento em moeda nacional.
Enquanto isso, as importações seguem avançando. Em junho, cresceram 9,9% na comparação anual e, no semestre, acumulam alta de 3,9%. Os equipamentos importados já representam 47,7% do consumo nacional, com destaque para o avanço das compras provenientes da China, que aumentaram 15,9% no período.
Apesar de sinais moderados de estabilização na carteira de pedidos e no emprego, a Abimaq avalia que o setor permanece pressionado pela combinação de crédito caro, baixo investimento e crescente concorrência dos produtos importados. Para a entidade, uma recuperação consistente dependerá da redução do custo do capital, da retomada da confiança empresarial e de medidas que reforcem a competitividade da indústria brasileira.







