Sem segredo: quem investir em tecnologia, capacitação e inovação continuará competitivo.
Marcus Frediani
O mercado de máquinas importadas para processamento de aço vive um período de intensa transformação no Brasil, consolidando-se como um pilar estratégico para indústrias que buscam ganho de escala, redução drástica de desperdício e precisão milimétrica.
Nesta entrevista exclusiva à revista Siderurgia Brasil, Edson Cipriano, da Cipriano Slitter Technology – especializada na importação dessas modernas máquinas –, e parceiro estratégico da GCR MAQ – empresa que desenvolve soluções nacionais de alto nível para o atendimento do mercado – nos dá um panorama geral desses mercados.
Siderurgia Brasil: Como você avalia o atual momento do mercado de máquinas para processamento de aços?
Edson Cipriano: Eu o vejo de forma bastante positiva, embora seletiva. O cenário econômico ainda apresenta desafios relacionados ao custo do capital, à volatilidade cambial e às incertezas globais. No entanto, as empresas que atuam no processamento de aço continuam investindo, principalmente aquelas que buscam aumento de produtividade, redução de custos operacionais, melhoria da qualidade e maior competitividade. Percebemos uma mudança importante no perfil dos investimentos. Hoje, o empresário não procura apenas uma máquina; ele busca uma solução completa, com elevado nível de automação, baixo custo operacional, eficiência energética e alta disponibilidade.
Como anda o mercado brasileiro de máquinas importadas?
Ele está bastante ativo. Hoje, o cliente brasileiro está muito mais criterioso, compara tecnologia, custo total de propriedade, disponibilidade de assistência técnica, fornecimento de peças e capacidade de suporte local. Outro aspecto importante, é que praticamente nenhum projeto é mais avaliado apenas pelo preço inicial. O cliente analisa produtividade, rendimento metálico, consumo de energia, custos de manutenção e vida útil do equipamento.
Qual o nível de inovação tecnológica embarcada das máquinas que a Cipriano Slitter importa da China?
Trabalhamos com a indústria chinesa há mais de duas décadas, ao longo das quais construímos uma sólida parceria de negócios. E posso afirmar, com certeza, que houve uma evolução extraordinária em termos de inovação nela. Hoje, a China investe fortemente em engenharia, automação, precisão mecânica e desenvolvimento tecnológico, com fabricantes chineses produzindo máquinas com excelente qualidade construtiva, elevados níveis de automação, integração digital e utilização de componentes mundialmente reconhecidos.
A entrada de equipamentos importados tem encontrado algum tipo de dificuldade alfandegária no Brasil?
Os processos de importação estão cada vez mais rigorosos. Mas isso não significa necessariamente maior dificuldade, mas exige muito mais planejamento, documentação técnica consistente e total conformidade com as exigências legais. Hoje. é fundamental que os projetos sejam preparados desde a origem considerando classificação fiscal, certificações, normas brasileiras, logística e aspectos regulatórios.
E como funciona a parceria estratégica da Cipriano Slitter com a GCR MAQ?
Ela vem sendo bastante produtiva. O Gilson Rosa, CEO da GCR MAQ, conduz a empresa com excelência em diversas frentes, tais como modernizações completas; retrofittings; reformas de equipamentos como slitters; desenvolvimento de novos equipamentos; adequações NR-12; automação industrial; e assistência técnica especializada, sendo que cada projeto é desenvolvido praticamente sob medida para a necessidade de cada cliente. E esse modelo tem sido muito bem recebido pelo mercado.
Como vem evoluindo a carteira de pedidos da GCR MAQ?
Assim como na Cipriano Slitter, a carteira da GCR MAQ permanece aquecida, tanto em projetos novos quanto em modernizações de linhas existentes, via retrofitting, uma vez que muitas empresas perceberam que aumentar produtividade nem sempre significa comprar uma máquina nova. Em diversos casos, uma modernização bem executada proporciona ganhos muito expressivos de produtividade, qualidade e segurança, com investimento significativamente menor.







