Estamos a menos de 60 dias das eleições em que saberemos quem terá a responsabilidade de conduzir o Brasil pelos próximos anos — ou, pelo menos, quem terá uma segunda chance, em um prazo não superior a 90 dias.
Infelizmente, continuamos assistindo a campanhas eleitorais muito mais preocupadas em apresentar os “podres” dos adversários do que sugerir soluções para os graves problemas que enfrentamos. Há muito tempo somos o “país do futuro” e esse futuro nunca chega.
Continuamos sem planos concretos para o desenvolvimento da indústria, para a melhoria da educação e para a criação de condições que estimulem investimentos, produtividade e crescimento. Nossos jovens deixam o ensino básico sem o domínio adequado de matemática e português, como mostram as avaliações educacionais. Nossas universidades públicas, que deveriam ser centros de excelência, conhecimento e pluralidade, se transformaram em ambientes dominados por disputas ideológicas.
As relações diplomáticas com diferentes países têm sido motivo de questionamentos e controvérsias. Poderíamos continuar enumerando problemas, mas nosso editorial se tornaria longo e enfadonho.
O que esperamos de quem vier a comandar o país é algo que parece simples, mas está cada vez mais raro: capacidade de conciliar. Precisamos de alguém que consiga juntar os cacos do que sobrou, reduzir a radicalização e estabelecer condições de governabilidade que permitam ao Brasil voltar a crescer. Só assim será possível reconstruir a confiança e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento.
Voltando à nossa edição, produzida com toda dedicação e carinho, abordamos o avanço da construção industrializada, impulsionada principalmente pela escassez de mão de obra, cada vez mais evidente. Industrializar processos deixou de ser apenas uma questão de modernização e passou, em muitos casos, a ser uma necessidade.
No agronegócio, que atravessa um período excepcional, com safras recordes e forte capacidade produtiva, o cenário é paradoxal. Os produtores encontram dificuldades para renovar equipamentos e elevar sua produtividade diante de juros que permanecem elevados há bastante tempo. A inadimplência também pesa. Dados recentes mostram que mais da metade das famílias brasileiras possui algum tipo de dívida em atraso. O resultado é previsível: os bancos tornam-se mais seletivos na concessão de crédito, dificultando ainda mais os investimentos e o crescimento.
Destacamos também a Interform 2026, que acontecerá em setembro, em Joinville, reunindo empresas e profissionais ligados aos processos de corte e conformação de metais. Como Mídia Oficial do evento, produzimos um Caderno Especial com informações sobre os expositores, mapa da feira e outros conteúdos de interesse dos visitantes. A feira também mostra como novas tecnologias, especialmente a IA, começam a transformar os processos industriais em busca de maior produtividade e eficiência.
Registramos ainda mais uma manifestação de desagrado em relação à política industrial brasileira. Desta vez, a crítica é de Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil e um dos fundadores da Coalizão Indústria, organização que reúne praticamente toda a indústria nacional.
Nossas estatísticas mostram os bons e os maus momentos atravessados pelos diferentes setores da economia. E, na seção Vitrine, registramos alguns dos principais momentos das diversas feiras e eventos empresariais que movimentam o segundo semestre no Brasil.
Agradecemos, mais uma vez, o prestígio de sua leitura. Continuamos à disposição para receber seus comentários, críticas e sugestões por meio de nossos canais de comunicação. Afinal, informação de qualidade e diálogo são ferramentas indispensáveis para construir um futuro que, talvez, desta vez, realmente chegue.
Henrique Patria







