A indústria brasileira de máquinas e equipamentos segue enfrentando um cenário de baixo dinamismo, pressionada pelo custo elevado do dinheiro, pela economia desaquecida e pelo avanço das importações. Os dados da Abimaq referentes a julho mostram que o consumo aparente nacional caiu 12,5% no acumulado de janeiro a julho, na comparação com o mesmo período de 2025.
Em julho, o consumo aparente avançou 1,9% sobre junho, para R$ 34,62 bilhões, mas permaneceu 5,3% abaixo de julho do ano passado. Foi o quarto mês consecutivo de queda na comparação anual, sinalizando que a recuperação ainda está distante.
A receita líquida total do setor chegou a R$ 24,44 bilhões em julho, alta marginal de 0,7% sobre junho, mas retração de 8,9% em relação a julho de 2025. No acumulado do ano, a queda é de 12,9%, enquanto a receita do mercado interno recuou 15,3%.
Para a Abimaq, a política monetária continua sendo um dos principais obstáculos ao investimento. Mesmo após o quarto corte consecutivo da Selic, para 14% ao ano, o custo do crédito permanece elevado, comprometendo decisões de investimento. Com juros nesse patamar, a taxa de retorno exigida pelos projetos torna-se difícil de alcançar, desestimulando a renovação e ampliação do parque produtivo.
Ao mesmo tempo, cresce a participação dos equipamentos importados. Entre janeiro e julho, as importações avançaram 3,7% e já representam 47,4% do consumo aparente brasileiro, contra 45,7% um ano antes. A China lidera esse movimento: suas vendas ao Brasil cresceram 16,9%, para US$ 6,95 bilhões, elevando sua participação nas importações de 32,1% para 36,2%. Enquanto isso, as compras dos demais fornecedores recuaram 2,6%.

No mercado externo, as exportações somaram US$ 1,13 bilhão em julho e cresceram 8,4% no acumulado do ano. Estados Unidos, Argentina e Singapura foram os principais destinos, com destaque para o salto de 145,1% das vendas para Singapura.
Os indicadores de atividade também refletem a fragilidade do mercado. O emprego caiu 2,6% em relação a julho de 2025, para 413.849 trabalhadores. A utilização da capacidade instalada subiu para 78,4%, enquanto a carteira de pedidos recuou de 9,6 para 9,4 semanas.
Os números confirmam um quadro preocupante: de um lado, o investimento produtivo praticamente não reage diante dos juros restritivos; de outro, a produção nacional perde espaço para equipamentos importados, especialmente chineses. O resultado é uma indústria pressionada pela combinação de mercado fraco, economia praticamente estagnada e crescente concorrência externa.
Fonte: Abimaq.







