A indústria brasileira de máquinas e equipamentos enfrenta uma combinação que acende um sinal de alerta: enquanto os juros elevados seguram os investimentos, as máquinas importadas avançam e ocupam uma parcela cada vez maior do mercado nacional. E, neste movimento, a China ganha protagonismo.
Dados da Abimaq mostram que o consumo aparente de máquinas caiu 12,5% entre janeiro e julho, na comparação com 2025. Mas o dado mais revelador está na origem dos equipamentos consumidos no país: 47,4% do consumo aparente já é atendido por máquinas importadas, contra 45,7% um ano antes.
A China lidera essa ofensiva. Suas vendas de máquinas ao Brasil cresceram 16,9%, chegando a US$ 6,95 bilhões. A participação chinesa nas importações brasileiras saltou de 32,1% para 36,2%, enquanto as compras dos demais fornecedores recuaram 2,6%.

Na prática, a indústria brasileira de máquinas perde espaço justamente quando o país precisa ampliar sua capacidade produtiva e renovar seu parque industrial. O avanço chinês ocorre em um mercado no qual o investimento doméstico continua travado pelo custo do crédito.
Em julho, o consumo aparente alcançou R$ 34,62 bilhões, mas ainda ficou 5,3% abaixo de julho de 2025. A receita líquida do setor recuou 8,9% na comparação anual e acumula queda de 12,9% no ano. O emprego também caiu 2,6%, para 413.849 trabalhadores.
O retrato é claro: quase metade das máquinas consumidas no Brasil já vem do exterior, enquanto a China amplia sua participação e a indústria nacional enfrenta juros elevados e mercado retraído. O avanço das importações deixa de ser apenas uma questão comercial e passa a representar um desafio para a própria capacidade brasileira de produzir máquinas e bens de capital.
Fonte: Abimaq







