Empresa RAMON TECHNOLOGYparticipou da 10ª edição do evento e apresentou proposta baseada em inteligência de dados, automação e transformação dos processos siderúrgicos.
De 8 a 10 de setembro, a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) foi realizada em São Paulo a ABM WEEK 2026. E o Portal e a Revista Siderurgia Brasil esteve lá para conferir as novidades nos estandes. E um dos espaços que mais chamou a atenção na área de exposições foi o da chinesa RAMON Technology, especializada em automação e em soluções inovadoras e inteligentes para a cadeia do aço.
Na ocasião, realizamos uma entrevista exclusiva com o Dr. Tian Lu, chairman da RAMON, durante a qual ele nos falou, entre outras coisas, do interesse da companhia em ampliar sua atuação no Brasil. Confira!


Siderurgia Brasil: Como você avalia a evolução da empresa ao longo de suas mais de três décadas de existência?
Dr. Tian Lu: Eu resumiria isso em uma única frase: sempre nos mantivemos próximos aos problemas reais do chão de fábrica siderúrgico e continuamos a aprofundar nosso conhecimento sobre a tecnologia por trás dele. Começamos em 1993 em uma das áreas mais críticas do processo de lingotamento contínuo: a medição e o controle do nível de aço líquido. A partir daí, expandimos gradualmente nossa atuação para controle de processos, siderurgia inteligente, robótica, automação e inteligência industrial. E, hoje,a RAMON não é mais apenas uma fornecedora de instrumentos ou máquinas isoladas. Nossas soluções abrangem toda a cadeia de valor da siderurgia, e nossas tecnologias atendem a mais de 500 usinas siderúrgicas em mais de 40 países e regiões.
Qual o “segredo” por trás desse sucesso?
Creio que na indústria de base, o verdadeiro teste é saber se uma tecnologia consegue operar de forma confiável, ano após ano, sob condições de produção rigorosas. Exemplo disso é que, há mais de dez anos, um sistema da RAMON de controle de nível do molde com fonte de césio foi instalado na CSN, no Brasil, e continua operando com confiabilidade desde então. Em outras palavras, para a tecnologia industrial, a operação confiável a longo prazo é uma das maiores provas de credibilidade.
Quais são as principais tecnologias que vêm impulsionando essa transformação atualmente?
Vejo quatro camadas tecnológicas impulsionando essa mudança. A primeira é a percepção inteligente. Tradicionalmente, a produção de aço envolvia muitos processos do tipo “caixa-preta”, especialmente em ambientes com calor extremo, poeira, ruído e luminosidade intensa. Hoje, a visão computacional, sistemas a laser, sonar, sensores eletromagnéticos, tecnologias de infravermelho e a fusão de múltiplos sensores estão tornando esses processos cada vez mais visíveis. A segunda camada é a inteligência de dados e processos. Coletar dados não é suficiente; modelos metalúrgicos, dados industriais e a IA devem transformar esses dados em decisões significativas. O terceiro aspecto é a execução inteligente, com robôs, pontes rolantes não tripuladas, sistemas de abertura de furo (tapping) automáticos, e sistemas de vazamento autônomos que traduzem decisões em ações físicas. E o quarto é o mais importante: o controle em malha fechada. Para nós, o verdadeiro futuro da manufatura inteligente reside em um ciclo de percepção, decisão, execução e feedback. A próxima etapa da competição não será sobre quem instala mais robôs, mas sobre quem consegue realmente integrar conhecimento metalúrgico, dados, IA e equipamentos em um único sistema de produção.
Diante desse cenário, qual é o papel da Inteligência Artificial nas soluções de vocês?
Bem, a IA não é o objetivo em si. O objetivo é resolver problemas industriais. A produção de aço é um processo altamente complexo. O resultado de um ciclo de produção pode ser afetado por dezenas – ou até centenas – de variáveis inter-relacionadas. Antes, grande parte desse conhecimento estava concentrada em operadores experientes. E embora essa experiência seja extremamente valiosa, ela é difícil de padronizar, replicar e aprimorar continuamente. É aí que a IA e os dados industriais se mostram poderosos. Na RAMON, combinamos mecanismos metalúrgicos, conhecimento operacional e dados históricos de produção. O objetivo é transformar a experiência de alguns operadores de excelência em uma capacidade de todo o sistema de produção. Portanto, nossa filosofia é muito prática: a IA não deve ficar restrita a um painel de controle. Ela precisa ser integrada ao processo e, em última análise, gerar valor mensurável em termos de qualidade, custos, segurança e produtividade.
Para finalizar, como a RAMON vê o mercado brasileiro, e quais oportunidades identifica no país?
Temos grande respeito pela indústria siderúrgica brasileira. O Brasil não é um mercado siderúrgico emergente, que está começando do zero: ele possui uma longa tradição industrial, grandes produtores de aço e uma comunidade de engenharia altamente experiente. Do ponto de vista dos processos, o Brasil continua sendo um mercado forte em Basic Oxygen Furnace BOF –Forno Básico a Oxigênio – e lingotamento contínuo, áreas nas quais a RAMON acumulou profunda expertise ao longo de muitos anos. Além disso, o Brasil não é uma novidade absoluta para nós, como eu mencionei aí atrás com o exemplo que dei sobre o fornecimento do sistema de controle de nível do molde com fonte de césio para a CSN. Portanto, reforço nossa proposta de crescimento gradual no mercado brasileiro: queremos evoluir de uma presença tecnológica bem-sucedida para um relacionamento muito mais amplo e de longo prazo com a indústria siderúrgica de vocês.







