A distribuição de aços planos apresentou um cenário de movimentos distintos em agosto de 2026, segundo levantamento do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, entidade que representa cerca de 70% do consumo de aços planos no Brasil.
As vendas apresentaram comportamento ligeiramente positivo na comparação mensal. Foram 334,1 mil toneladas em agosto, alta de 1,2% sobre as 330,2 mil toneladas de julho. Na comparação anual, porém, o resultado ficou 1,0% abaixo das 337,4 mil toneladas vendidas no mesmo mês do ano passado.

As compras dos associados somaram 340,1 mil toneladas, queda de 0,9% em relação às 343,3 mil toneladas registradas em julho. Na comparação com agosto de 2025, entretanto, houve crescimento de 3,8%.
Os estoques também cresceram. Ao final de agosto, totalizaram 1,182 milhão de toneladas, alta de 0,5% sobre julho, quando alcançaram 1,176 milhão de toneladas. O giro de estoque ficou em 3,5 meses, que é muito alto para o setor.
Um dos pontos que mais chama a atenção no levantamento é o comportamento das importações. Em agosto, as compras externas alcançaram 198,1 mil toneladas, crescimento de 13,0% sobre julho, quando haviam somado 175,4 mil toneladas. Na comparação com agosto de 2025, contudo, houve redução de 17,9%.
Para o presidente do Instituto, Carlos Loureiro, entretanto, a análise da concorrência externa precisa ir além das estatísticas tradicionais de importação de aço. Segundo ele, existe um avanço silencioso da entrada de aço no país por meio de produtos acabados ou semielaborados.
Loureiro chama atenção para o chamado “aço contido”, presente em máquinas, automóveis, eletrodomésticos e em uma ampla variedade de produtos fabricados no exterior que chegam ao Brasil já prontos para o consumo. Nesses casos, o aço não aparece diretamente nas estatísticas de importação do produto siderúrgico, mas chega incorporado ao bem produzido em outro país.
Na avaliação do presidente do Instituto, essa situação representa um desafio adicional para a siderurgia brasileira, pois a indústria nacional passa a disputar mercado não apenas com o aço importado, mas também com produtos estrangeiros que já incorporam aço produzido fora do país.
O alerta é de que, sem políticas capazes de considerar também esse fluxo de aço incorporado aos produtos importados, a indústria brasileira poderá perder gradualmente espaço em sua própria cadeia produtiva. Loureiro defende que o governo considere esse fator nas discussões sobre competitividade e proteção da indústria nacional. Segundo ele, sem medidas nesse sentido, a indústria brasileira corre o risco de não conseguir sustentar sua estrutura produtiva nas próximas duas décadas.
Para setembro, a expectativa da rede associada é de crescimento de 1,5% tanto nas compras quanto nas vendas de aços planos em relação a agosto.
Fonte – Inda







