Entre os dias 29 e 30 de setembro, São Paulo recebe o Congresso Aço Brasil 2026, reunindo representantes de toda a cadeia do aço e importantes lideranças da indústria nacional e internacional. A programação teve início nesta terça-feira (29), com grande participação de público e uma agenda marcada por debates sobre competitividade, comércio exterior, política industrial e os impactos do avanço da China sobre os mercados mundiais.
A abertura do congresso foi conduzida por André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau. Em seu pronunciamento, destacou que o evento acontece em um momento delicado não apenas para a siderurgia, mas para toda a indústria brasileira, que vem enfrentando perda de competitividade diante do crescimento das importações e dos elevados custos internos.
Segundo Gerdau, o chamado Custo Brasil representa um dos principais obstáculos à indústria nacional, dificultando a competição das empresas brasileiras com seus concorrentes estrangeiros. O cenário, avaliou, exige atenção e medidas capazes de criar condições mais equilibradas para a produção nacional.
Na sessão de abertura, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou por teleconferência e saudou os congressistas. Em sua manifestação, destacou avanços obtidos pelo governo e reafirmou o compromisso com a continuidade dos esforços voltados à ampliação da competitividade da indústria brasileira.



Na sequência, a Conferência Magna, intitulada “Geopolítica em Transformação”, foi apresentada por Marcos Troyjo, economista, cientista político e diplomata. O palestrante traçou um panorama das mudanças que vêm ocorrendo no comércio e na economia mundial e avaliou que o atual cenário de transformações, que apesar das dificuldades, também pode representar oportunidades para o Brasil.
Para Troyjo, o país tem uma importante oportunidade de promover sua reindustrialização, mas isso dependerá da união dos diferentes setores em torno de um projeto comum de desenvolvimento. Ao abordar o comércio exterior, defendeu uma postura aberta às importações e às relações comerciais, mas ressaltou que o Brasil não pode ser ingênuo nas negociações internacionais.
Ao longo dos painéis realizados durante o dia, um dos principais temas foi o avanço da China nos mercados internacionais, especialmente no setor siderúrgico. Os participantes destacaram que o país asiático responde atualmente por cerca de 52% da produção mundial de aço e vem ampliando sua presença também em diversos segmentos de produtos manufaturados.
Os debates ressaltaram ainda a necessidade de o Brasil avançar na construção de uma política industrial que não tenha como objetivo simplesmente impedir as importações, mas que ofereça à indústria nacional condições efetivas para competir em igualdade de condições no mercado internacional.
De acordo com diferentes participantes dos painéis, a China consolidou-se como uma das principais forças exportadoras de produtos manufaturados, abrangendo desde utensílios domésticos e máquinas até automóveis e navios. Para os debatedores, a expansão chinesa representa um dos principais desafios e ameaças colocados atualmente à indústria brasileira.
A Revista e o Portal Siderurgia Brasil acompanham presencialmente o Congresso Aço Brasil 2026. A cobertura está sendo realizada pelo editor-chefe Henrique Pátria, pelo jornalista especial Marco Frediani e pelo repórter fotográfico Tadeu Sakagawa, levando aos leitores os principais acontecimentos e debates do mais importante encontro da siderurgia brasileira.







