A indústria brasileira de máquinas e equipamentos enfrenta uma combinação preocupante de mercado interno em retração, juros elevados e forte avanço das importações, com a China ampliando rapidamente sua presença no país. Dados da Abimaq mostram que a receita líquida interna do setor caiu 15,5% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em agosto, a receita interna ficou em R$ 16,8 bilhões, uma queda de 9,7% sobre julho e de 16,4% frente a agosto de 2025. Para a entidade, o resultado é reflexo dos efeitos da política monetária restritiva, que mantém elevado o custo do crédito e dificulta investimentos em novas máquinas, expansão de fábricas e capital de giro.
Enquanto o mercado doméstico perde força, as importações ganham espaço. Entre janeiro e agosto, as compras externas de máquinas e equipamentos chegaram a US$ 22,20 bilhões, alta de 5,2%. Com isso, o déficit comercial do setor atingiu US$ 13,39 bilhões, 4,6% acima do registrado no mesmo período de 2025.

O avanço dos importados também alterou significativamente a composição do mercado brasileiro. Nos oito primeiros meses do ano, 47,6% do consumo aparente de máquinas já foi atendido por produtos importados, contra 45,3% em 2025. A participação da indústria nacional caiu para 52,4%.
A China é a principal responsável por esse movimento. As importações brasileiras de máquinas chinesas alcançaram US$ 8 bilhões, crescimento de 18,8% em um ano. Com isso, os chineses já respondem por 36% de todas as máquinas e equipamentos importados pelo Brasil. Estados Unidos e Alemanha aparecem bem atrás, com 14,6% e 11,6%, respectivamente.
O impacto chega também ao mercado de trabalho. O setor terminou agosto com 403.294 empregados, número 5,6% inferior ao registrado um ano antes. A utilização da capacidade instalada subiu para 79,6%, enquanto a carteira de pedidos avançou para 10,1 semanas.
O diagnóstico da Abimaq é claro: além da retração dos investimentos, a indústria nacional enfrenta uma disputa cada vez mais intensa com os produtos importados, especialmente os chineses, aumentando a pressão sobre a competitividade e o futuro da produção brasileira de bens de capital.
Fonte: Abimaq.







