Com o mercado em pânico após a reeleição de Lula, a lição de 2002 continua valendo: quem decide o resultado do negócio não está em Brasília
Tony Diniz*
Lula foi reeleito, e o mercado reagiu como sempre reage a uma surpresa: no grito. Bolsa em queda, dólar em alta, juros futuros disparando. Quem apostou no cavalo errado costuma culpar o cavalo. Raramente a aposta. Já vimos esse filme. Em outubro de 2002, o dólar encostou em R$ 4 com medo do mesmo Lula. Um ano depois, estava abaixo de R$ 3, e a Bolsa quase dobrou em 2003. Na época, quase ninguém previu. Hoje, todo mundo explica. O futuro tem esse hábito: chega sem pedir licença aos especialistas.
Por isso, a cada eleição, a pergunta certa não é o que vai mudar, e sim o que continua igual. A conjuntura, essa sim, varia. A Selic segue acima de 13% ao ano. Mais de 9 milhões de empresas estão negativadas, recorde da Serasa. Desde janeiro de 2026, lucro acima de R$ 50 mil por mês pago pela mesma empresa ao mesmo sócio tem 10% de imposto retido na fonte. A partir de 2027, a CBS, novo tributo federal sobre consumo, substitui PIS e Cofins. Tudo isso exige ajuste. Nada disso pede pânico.
O que não muda é o que deveria guiar você. Medo e euforia exageram na largada. Quem decide no pico de um ou de outro costuma pagar caro, e à vista. Caixa é oxigênio: ninguém repara nele até faltar. Empresa lucrativa sem caixa quebra. Empresa apertada com caixa atravessa. Margem de erro não é pessimismo. É admitir que o plano vai falhar em algum ponto e garantir que não seja fatal.
Quem negocia antes de atrasar senta com o gerente. Quem negocia depois, com a cobrança. Banco oferece guarda-chuva no sol e pede de volta quando chove. Dívida curta e cara mata mais negócio do que crise. E quem paga o seu boleto é o seu cliente, não o governo.
Na prática:
- Monte um fluxo de caixa semana a semana para os próximos três meses, com o pior cenário de juros e câmbio, e atualize toda segunda-feira;
- Troque dívida curta e cara, como cheque especial e antecipação de recebíveis, por prazo mais longo;
- Se tem custo em dólar, proteja ao menos parte dele;
- Simule seus preços com a CBS ao lado do contador;
- Revise o calendário de distribuição de lucros;
- Corte o que consome caixa e não traz venda;
Nenhum presidente vai abrir a sua empresa às oito da manhã nem ligar para o cliente que atrasou. Isso era verdade em 2002, é verdade hoje e vai continuar sendo em 2030. O país dos próximos quatro anos foi decidido nas urnas. O resultado do seu negócio será decidido por uma pessoa só, e ela não precisa de voto.

*Tony Diniz é empresário, especialista em vendas, autor e palestrante, com mais
de 30 anos de experiência comercial em mais de 30 países. É fundador do
programa A VIRADA e autor do livro “Pobreza é opção?”.
Instagram: @tonydiniztdx







