O Brasil enfrenta um desafio ambiental urgente: entre 1986 e 2021, entre 11% e 25% de sua vegetação nativa foi considerada suscetível à degradação, o que equivale a até 135 milhões de hectares, segundo o MapBiomas. Nesse cenário, cresce a busca por soluções sustentáveis e economicamente viáveis para conservar os solos — e uma dessas alternativas pode estar mais próxima do que se imagina: os subprodutos da siderurgia.
Pouco conhecidos fora dos círculos técnicos, materiais como a escória de aciaria, um resíduo da produção de aço, estão ganhando espaço no campo como corretivos agrícolas altamente eficazes. “Devido ao seu caráter alcalino e aos altos teores de óxidos de cálcio e magnésio, as escórias de aciaria têm grande potencial para corrigir a acidez dos solos, um problema comum em grande parte do território brasileiro”, explica Luiz Cláudio Pinto Oliveira, doutorando em engenharia metalúrgica pela UFRGS e coordenador da Comissão Técnica de Economia Circular e Sustentabilidade da ABM.
Mas os benefícios vão além da correção da acidez. As escórias também fornecem silício, um nutriente que fortalece plantas, tornando-as mais resistentes a pragas e doenças — algo que o calcário agrícola tradicional não oferece. “Esse diferencial agronômico faz da escória uma opção estratégica para a agricultura moderna”, reforça Luiz Cláudio.
Entre os subprodutos mais promissores está a escória LD, com alto teor de óxido de cálcio e amplamente disponível nas usinas. Outros resíduos siderúrgicos, como os pós e lamas dos sistemas de limpeza de gases — ricos em fósforo, enxofre, zinco e potássio — também têm potencial de uso, desde que devidamente tratados.
Um exemplo concreto dessa inovação é o AgroSilício, fertilizante desenvolvido pela Harsco Environmental em Minas Gerais. Produzido a partir da escória de aciaria, ele atua como um insumo multifuncional que nutre, protege e ainda aumenta a produtividade e a qualidade das lavouras.
Wender Alves, presidente da Harsco Environmental na América Latina, destaca que a demanda pelo AgroSilício tem crescido rapidamente: “Praticamente toda a produção em Minas já está comprometida. Estamos expandindo a capacidade e negociando com novas siderúrgicas para levar essa solução sustentável a outras regiões, como o Centro-Oeste e o Norte do país”.
Além dos ganhos para a agricultura, o uso do AgroSilício também é um avanço ambiental: reduz emissões de gases de efeito estufa em até 95% e ainda gera sucata metálica de alta pureza como subproduto.
Fonte: alexandre.serafim@gotcha.com.br – Assessoria ABM










