O avanço da produção de energia limpa no Ceará — especialmente o hidrogênio verde — enfrenta um desafio estrutural crucial: a falta de capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) para conectar novos projetos à rede elétrica. Essa limitação já compromete a viabilidade de diversos empreendimentos previstos para o Complexo do Pecém, uma das regiões estratégicas para o desenvolvimento energético, envolvendo investimentos que somam bilhões de reais.
Especialistas do setor energético destacam que o principal gargalo está na defasagem dos sistemas de transmissão, que não acompanham o ritmo acelerado dos investimentos em fontes renováveis. Essa defasagem impacta diretamente a expansão do parque eólico, solar e de hidrogênio verde no Ceará, estado com grande potencial para a geração dessas energias, mas que esbarra em barreiras técnicas e burocráticas para efetuar a conexão ao SIN de forma eficiente e rápida.
Aldelfredo Mendes, diretor comercial do Grupo Cordeiro — empresa com forte atuação em obras de infraestrutura para o setor energético — ressalta a importância de superar esses obstáculos: “Estamos diante de um novo ciclo econômico e energético, que tem potencial para reposicionar o Brasil no cenário global. No entanto, sem uma rede adequada para escoar essa energia renovável, o risco é que muitos desses projetos permaneçam apenas no papel. É fundamental que a infraestrutura seja tratada com a mesma prioridade dada à geração de energia”.
Além disso, o setor de infraestrutura aponta para a necessidade urgente de maior previsibilidade e articulação entre os diferentes entes federais — União, estados e municípios — para que as obras de linhas de transmissão e subestações sejam planejadas e executadas em sincronia com os cronogramas de instalação das usinas. Essa coordenação é essencial para evitar atrasos e garantir que a energia limpa produzida chegue efetivamente ao mercado, fortalecendo a matriz energética nacional e contribuindo para a meta de descarbonização do país.










