Fazendo a perfeita junção entre sustentabilidade, produtividade e competitividade, a ArcelorMittal se destaca no Brasil e no mundo em projetos de descarbonização.
Marcus Frediani
No mundo e no Brasil, a ArcelorMittal assumiu o compromisso de protagonizar os esforços do setor siderúrgico rumo à descarbonização, tendo estabelecido, de forma pioneira, a meta global de ser carbono neutro até 2050 e, como meta de médio prazo, reduzir em 25% as emissões específicas de CO₂ até 2030.

E, para alcançar esses objetivos e ir além na trilha da sustentabilidade, a empresa segue continuamente em busca de soluções inovadoras, conforme atesta Guilherme Abreu, gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal Brasil, nesta entrevista exclusiva à revista Siderurgia Brasil. Confira!
Siderurgia Brasil: Guilherme, como a ArcelorMittal vem atuando hoje no âmbito dos projetos de transição na jornada do cumprimento dos compromissos atrelados à descarbonização, notadamente aqui em nosso país?
Guilherme Abreu: No Brasil, contamos com uma equipe dedicada à descarbonização, que trabalha em modelos de negócios sustentáveis para suportar essa jornada. Para a etapa de transição, estamos atuando prioritariamente em cinco frentes: 1) Otimização da matriz metálica, com aprimoramento e ampliação do uso de sucata como matéria-prima; 2) Utilização do combustível gás natural em substituição parcial dos finos de carvão mineral; 3) Maximização do uso de carvão vegetal renovável; 4) Adoção permanente de melhorias de eficiência energética nos processos de produção de aço; e 5) Produção própria de energia renovável e busca de fontes comprovadamente limpas.
E quais são as principais rotas que vocês vêm seguindo nesse trabalho rumo a 2050?
Para alcançar emissões líquidas zero de carbono até 2050, avaliamos duas rotas principais. A primeira é a chamada Rota Smart Carbon, que envolve a adaptação tecnológica significativa nos ativos existentes para garantir um uso circular do carbono, integrando tal abordagem com tecnologias como CCUS (Carbon Capture Use and Storage), além do aumento do consumo de biomassa renovável. Além disso, vale ressaltar que essa rota também integra outras tecnologias disruptivas já em desenvolvimento, entre as quais se destaca a transformação do minério de ferro em aço utilizando o hidrogênio verde como elemento combustível e redutor, em substituição ao carvão mineral, que já está sendo testado na usina de Sestao, na Espanha.


E qual a segunda rota que a ArcelorMittal vem seguindo nessa jornada?
É a Rota DRI, cuja proposta é a produção de aço a partir do uso de hidrogênio verde como agente redutor em fornos de redução direta e aciarias elétricas (FEA) com 100% de energia elétrica renovável. A ArcelorMittal Brasil é exemplo global de uso de biocombustível — carvão vegetal — em parte de seus processos de produção de aço. A empresa mantém a BioFlorestas para produção de carvão vegetal, certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), que abastece a unidade de produção de aço em Juiz de Fora/MG, reduzindo significativamente a sua pegada de carbono. O carvão vegetal, produzido por meio de florestas de eucalipto plantadas, absorve o CO₂ da atmosfera, mantendo uma circularidade no uso do carbono (ciclo fechado).
Como parte da jornada, a empresa também lançou globalmente a iniciativa XCarb, um programa que objetiva reduzir emissões nos processos da empresa e dos clientes (Escopo 3) e incentivar o desenvolvimento de tecnologias disruptivas. Um dos exemplos no Brasil da iniciativa XCarb é o vergalhão ArcelorMittal 50S XCarb, primeiro produto produzido pela ArcelorMittal Brasil com 100% de sucata metálica reciclada e 100% de energia renovável, com baixa pegada de carbono — cerca de 60% a menos na comparação com o vergalhão tradicional. Complementarmente, vale ressaltar que o Grupo ArcelorMittal conta com o apoio de 14 unidades do nosso Centro de P&D distribuídas pelo mundo, com mais de 1.700 pesquisadores que ajudam a fomentar parcerias inovadoras com a iniciativa privada e os poderes públicos locais.
Além disso, em outubro de 2023, a ArcelorMittal firmou parceria com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), no Centro CIT/Senai de Descarbonização Industrial, e vai promover a capacitação de profissionais para trabalhar com o tema, tendo feito um aporte inicial de R$ 34 milhões para a estruturação básica do laboratório, voltado ao desenvolvimento de tecnologias e projetos de descarbonização.
Falando em investimentos, qual o atual montante de injeção de recursos que a empresa já destinou e ainda pretende destinar a essas iniciativas de diversificação e transição energéticas? E qual o cronograma dessas ações?
Por meio do programa XCarb Innovation Fund, o Grupo ArcelorMittal já investiu cerca de € 300 milhões no desenvolvimento de tecnologias para redução das emissões, por meio de seus Centros de Pesquisa e Desenvolvimento ao redor do mundo, sendo um deles localizado no Brasil, na Unidade Tubarão/ES. A estimativa é de que, até 2030, serão investidos mais de US$ 10 bilhões nessa jornada.
No que tange ao cronograma relacionado à eficiência energética, a meta da ArcelorMittal Brasil é alcançar 100% de fontes renováveis em energia elétrica até 2030. Até o momento, a empresa firmou parcerias com a Casa dos Ventos e a Atlas Renewable Energy, que somam investimentos de R$ 5,8 bilhões em projetos de energia renovável. Considerando os projetos de energia solar e eólica — mais a autossuficiência em Pecém e Tubarão —, chegaremos a 85% de autoprodução. Com isso, a estimativa é de redução de 200 mil toneladas de emissões de CO₂ ao ano, a ser alcançada quando os três projetos entrarem em plena operação, neutralizando as emissões de CO₂ de Escopo 2 — emissões pelo consumo de energia elétrica da ArcelorMittal.
Além disso, a ArcelorMittal realizou um investimento estratégico de US$ 36 milhões na empresa norte-americana Boston Metal, pioneira no desenvolvimento da tecnologia de eletroforese de óxidos fundidos Molten Oxide Electrolysis (MOE), que permite a produção de aço diretamente a partir do minério de ferro, eliminando completamente o uso de carbono no processo. O subproduto gerado é apenas oxigênio, o que torna essa tecnologia uma das mais promissoras para a produção de aço com zero emissões.
Finalmente, qual o nível de utilização atual da Inteligência Artificial para encontrar soluções no desenvolvimento dos projetos de descarbonização da empresa aqui no Brasil?
Estamos muito avançados nessa área também. A ArcelorMittal Sistemas, braço de TI do grupo, lidera a aplicação de IA no Brasil com o Americas IT Infrastructure Optimization Program (AIIOP), criado em 2014, e que hoje sustenta a infraestrutura digital e viabiliza projetos de IA em todas as unidades do grupo nas Américas.










