Segundo a enciclopédia Wikipédia, “um círculo vicioso (ou ciclo) é uma cadeia complexa de eventos que se reforça através de um loop de feedback, com resultados prejudiciais”. Analisando o quadro atual da siderurgia nacional, pode-se dizer que o setor entrou nesse ciclo nada virtuoso há alguns anos e ainda não encontrou uma saída. Nossa afirmação se baseia em fatos concretos. Em várias edições de nossas publicações, apresentamos matérias, artigos e pronunciamentos de dirigentes de empresas e entidades, abordando investimentos voltados ao aprimoramento e crescimento da produção, bem como aos avanços na área de descarbonização, substituição de matrizes energéticas, sustentabilidade e outros melhoramentos, que são os leads do momento.
Nesta edição da revista Siderurgia Brasil Digital, por exemplo, trazemos duas matérias em que especialistas de grandes usinas instaladas no país comentam ações e projetos voltados à sustentabilidade e à redução das emissões de poluentes. No entanto, todo avanço exige investimentos em maior ou menor proporção e, para que ocorram, é necessário haver retorno comercial.
É óbvio que, sem resultados, não há recursos para investir em melhorias. Dados do Instituto Aço Brasil mostram que a utilização da capacidade instalada das siderúrgicas no país não chega a 65%, o que é insuficiente para gerar tais resultados. Além disso, até este ano de 2025, enquanto a produção cresceu apenas 0,7%, as importações já aumentaram 26,8%. Por sua vez, o consumo aparente subiu cerca de 10%, embora a maior parte tenha sido suprida por aço importado.
Na mesma linha, o presidente do INDA observa que o consumo aparente está longe do “consumo real” e que esse crescimento de quase 10% representa, na prática, aumento de estoques — novamente com predominância de produtos importados.
Em resumo, os planos de investimento e crescimento dificilmente ganharão a velocidade necessária sem desenvolvimento comercial. Aliás, CEOs de grandes indústrias têm declarado que diversas empresas avaliam reduzir suas atividades, podendo inclusive fechar unidades — caminho oposto ao discurso de novos investimentos.
Nesta edição, você confere também a conclusão do artigo técnico que orienta na escolha do melhor aço ferramenta para cada uso específico, além de outro conteúdo sobre aços trefilados — utilizados quando se exige melhor acabamento e qualidade. Falando em qualidade, nossa parceira Comega, de Ribeirão Preto (SP), informa que concluiu o processo para obtenção de novas certificações, o que permitirá ampliar suas linhas de produtos.
Na seção “Energia”, destacamos a persistência das reclamações sobre a incapacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) de fornecer a infraestrutura necessária para integrar a geração de energia já em funcionamento à rede elétrica. Também informamos que a produção mundial de carros elétricos deve atingir 22 milhões de unidades em 2025.
Por fim, a seção “Estatísticas” mostra mais uma vez a dura e crescente realidade do aumento da entrada de aços importados no Brasil. E, em “Vitrine”, os leitores conferem as últimas novidades e notícias relevantes do setor.
Agradecemos o prestígio de sua leitura e reforçamos o convite para que você participe com sugestões, ideias e críticas para o aperfeiçoamento desta nossa — ou melhor, SUA — revista, interagindo conosco pelos nossos diversos canais.
Boa leitura!
Henrique Isliker Patria
henrique@grips.com.br










