Henrique Pátria
O Brasil se encontra em posição delicada. Dentro de poucos dias, entrará em vigor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos – um dos nossos principais parceiros comerciais -. A medida, agendada para 1º de agosto, acende o sinal amarelo em setores estratégicos da economia. É uma espada sobre nossas cabeças. Se nada mudar, bilhões de dólares em exportações estarão sob risco, com impactos severos na dinâmica nacional.
Acreditamos que os setores mais afetados no Brasil serão: Agronegócio, mineração, siderurgia, petróleo e gás, além da indústria aeronáutica — especialmente a Embraer — que deverão sentir os efeitos mais profundos. A tarifa de 25% sobre produtos siderúrgicos já era um obstáculo; dobrá-la para 50% tende a reduzir drasticamente nossa competitividade no mercado norte-americano. A consequência lógica será o encarecimento dos produtos brasileiros para os consumidores americanos, levando à queda na demanda e substituição por alternativas locais ou de outros países. Aqui no Brasil, isso deve se traduzir em aumento de desemprego, inflação e aprofundamento da pobreza, atrasando ainda mais a retomada econômica.
Essa crise e este golpe em nossa economia não faz distinção ideológica. Independente de partidos que temos simpatia ou votos que tenhamos depositado nas urnas, todos os brasileiros sentem seus efeitos, direta ou indiretamente. O conflito não nasceu da vontade popular, mas serão os cidadãos os primeiros a pagar a conta.
Se o impasse fosse exclusivamente comercial, os argumentos americanos não se sustentariam. Dados mostram que o Brasil é deficitário na balança comercial bilateral. O pano de fundo parece ser político — com o atual alinhamento do Brasil provocando reações duras e imediatas dos EUA. Polarizações ideológicas internas só acentuam esse problema e tornam a negociação ainda mais complexa.
Como superaremos esse impasse?
É urgente resgatar o diálogo pragmático com intenções meramente comerciais. A separação entre política comercial e ideologias é vital neste momento. As relações comerciais internacionais devem se pautar por acordos bilaterais ou multilaterais racionais e não por discursos inflamados ou jogos de poder. Todos têm a perder.
Mas ainda há tempo? Há espaço para o diálogo neste momento?
A janela de negociação está se fechando. O governo brasileiro precisa ativar com rapidez seus canais diplomáticos e apostar na capacidade técnica de seu corpo ministerial. O governo tem canais naturais de negociação.
Afinal há um ministério aparelhado em que depositamos nossa confiança e que seja bastante hábil para enfrentar tal situação e nos apresentar um resultado menos dolorido do que temos neste momento. Deve ser usada a estratégia e ação coordenada com o objetivo de suspender temporariamente a medida anunciada e viabilizar uma solução negociada.
Apesar da tensão, permanece a esperança de que a diplomacia prevaleça e que o Brasil consiga preservar seus interesses, sua produção e seu povo. Afinal todos tem a perder se tal disputa não for solucionada a contento.










