Entenda como fatores como produtividade por colaborador, qualidade do corte, disponibilidade de matéria-prima e qualificação da mão de obra impactam diretamente e garantem eficiência, qualidade e retorno financeiro.
Claudio Flor*
Em um mundo globalizado, onde é possível adquirir produtos de fornecedores locais ou internacionais, a escolha de equipamentos industriais exige atenção redobrada. Nem todas as opções disponíveis no mercado entregam o desempenho esperado, e a análise criteriosa é essencial para evitar surpresas e prejuízos.
Antes de qualquer decisão, é indispensável realizar uma análise técnica detalhada. Essa análise deve contemplar estudos de viabilidade, levando em conta produtividade, mão de obra, resultados esperados e o montante do investimento a que se está disposto a realizar.
Tomando decisões com base em exemplos práticos
Podemos ilustrar esse raciocínio com um exemplo simples: ao adquirir um veículo de transporte, consideramos não apenas o valor de compra, mas também sua aplicação – tipo de carga, distância, estrada, conforto e tempo de trajeto. Assim, podemos ir do Oiapoque ao Chuí em um carro popular ou em um veículo de luxo. Ambos cumprirão o objetivo, mas os resultados (tempo, custo, desgaste, conforto) serão diferentes.
O mesmo ocorre ao investir em uma linha de corte de metais: é preciso definir o que se deseja alcançar com o equipamento, com que frequência será utilizado e qual a equipe necessária para operá-lo.






Fatores determinantes para a escolha da linha de corte:
1. Produção e produtividade esperada:
A relação entre produção e custos (energia, mão de obra, manutenção etc.) define a produtividade da linha. No setor siderúrgico, por exemplo, a referência em países europeus e nos EUA é de 150 a 200 toneladas/mês por colaborador. Nos países do BRICS, essa produtividade varia entre 50% e 70% desses valores.
2. Qualidade desejada:
A exigência por qualidade aumentou, e critérios como planicidade, rebarbas, esquadro, enflechamento, tensionamento (de enrolamento e interno dos blanks) e acabamento superficial tornaram-se essenciais na escolha da linha.
3. Matéria-prima:
Aço laminado a quente ou a frio ainda predominam, mas novos materiais com maior dureza e flexibilidade impactam diretamente na escolha do equipamento. Além disso, mudanças frequentes de processo podem gerar contaminações, exigindo cuidados específicos.
4. Largura e peso das bobinas:
Embora a tendência anterior fosse o aumento da largura das bobinas, os materiais de alta resistência (1.000 a 1.400 MPa) estão direcionando o mercado novamente para bobinas mais estreitas e leves. Apesar disso, o diâmetro externo continua aumentando, o que eleva o peso total da bobina – um desafio no transporte, especialmente no Brasil, onde o custo de transporte especial ainda é alto. Nesses casos, centros de serviços próximos a ferrovias ou hidrovias têm vantagens logísticas.
5. Mão de obra:
Apesar da crescente automação, a produtividade ainda é medida em toneladas por colaborador. A escassez de mão de obra qualificada é um desafio no Brasil, exigindo investimentos em capacitação e treinamento. Mesmo com os esforços de entidades como Sesi, Senai e Senac, ainda há lacunas significativas na formação técnica.
Como diz o ditado: “Uma boa música nas mãos de um maestro ruim pode se tornar comum, mas um bom maestro transforma qualquer música em algo extraordinário”.
6. Segurança:
Os equipamentos devem atender à NR-12, norma regulamentadora brasileira que foi originalmente implantada no Brasil 1978, e que vem sendo atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Essa norma estabelece medidas de prevenção para a segurança na utilização de máquinas e equipamentos, visando proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Originalmente a norma estabelece requisitos técnicos e medidas de proteção que devem ser observados desde a fabricação até a utilização, incluindo transporte, instalação, manutenção e descarte e não se limita apenas à segurança física dos trabalhadores. Além de garantir a integridade física dos trabalhadores, a norma aborda aspectos como ergonomia, capacitação de operadores e informações claras para uso seguro dos equipamentos.
Conclusão
Com base em todos esses fatores – produtividade, qualidade, matéria-prima, transporte, mão de obra e segurança – o empreendedor estará apto a escolher a linha de corte mais adequada às suas necessidades. Essa escolha impactará diretamente na qualidade do produto a ser produzido, o retorno do investimento e a competitividade no mercado.

Eng. Claudio Flor é diretor-presidente da Divimec Tecnologia Industrial Ltda.,
fabricante de linhas de corte longitudinal, transversal, entre outros.










