Grande parte do aço que sai das usinas ou chega aos portos brasileiros é movimentada por caminhões que cruzam o país em todas as direções.
Marcus Frediani
Não à toa, em 2024, o transporte rodoviário de cargas manteve-se na liderança como principal modal logístico do Brasil, sendo responsável por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no país. Esse protagonismo se reflete não apenas em volume transportado – que registrou crescimento superior a dois dígitos – mas também no campo da empregabilidade.

Para 2025, a expectativa é ainda mais otimista, com base no aumento dos investimentos em infraestrutura previstos no Plano Nacional de Logística (PNL), que visa identificar e propor soluções para o desenvolvimento nacional, melhorando o nível de serviço aos usuários, equilibrando a matriz de transportes, ampliando a eficiência dos modais e reduzindo a emissão de poluentes.
Entretanto, apesar desse cenário promissor, desafios persistem: oscilações econômicas, aumento nos custos operacionais e dificuldades na atração e retenção de mão de obra qualificada continuam exigindo das transportadoras maior capacidade de adaptação e inovação. Em outras palavras, as empresas que mantiverem o foco e demonstrarem proatividade frente a esses desafios terão maiores chances de se destacar na rota do crescimento sustentável.
Para ilustrar a importância desse modal, destacamos a Transportes Macari, empresa com sede em Santa Catarina e mais de 15 anos de atuação no transporte rodoviário de cargas pesadas, com foco principal no setor siderúrgico, embora também atenda a segmentos como mineração, cerâmica, grãos e fertilizantes.
“Somos uma empresa familiar. Na verdade, nosso envolvimento com o transporte de ferro e aço vem de muito antes. Há mais de 35 anos, meu pai, o Sr. Nery, já atuava como caminhoneiro autônomo, fazendo esse tipo de transporte entre usinas siderúrgicas e distribuidores, inicialmente com apenas um caminhão. Com visão empreendedora, ele foi expandindo a frota, adquirindo carretas de seis, sete e até nove eixos”, conta Nery Macari Júnior, sócio-administrador da empresa.
INFRAESTRUTURA ROBUSTA
Esse modelo de operação segue firme até hoje, com maior abrangência geográfica. A Macari atende distribuidoras de ferro e aço em sete estados: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso e Goiás. A empresa conta ainda com uma filial em Pindamonhangaba/SP e diversos pontos de apoio ao longo das rotas, com pneus e peças de reposição para manutenções emergenciais. Em breve, será inaugurada mais uma filial em São José dos Pinhais/PR, aguardando apenas a liberação da documentação pelos órgãos regulatórios.
A Macari opera com uma frota própria de 22 veículos de carga, novos e seminovos, e mais 30 veículos de terceiros. Os caminhões são equipados com carroçarias de grade baixa, adequadas para o transporte de vergalhões, barras chatas, aços planos, bobinas, tarugos, telas MF, treliças e cantoneiras.

A partir dessa estrutura logística sólida, a empresa tem como objetivo ser reconhecida como uma parceira confiável, destacando-se pela qualidade e segurança de seus serviços. Um exemplo disso é a recente conquista da certificação SASSMAQ (Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade), que avalia o desempenho das empresas em critérios como prevenção de acidentes, saúde dos colaboradores e respeito ao meio ambiente.
Todos os veículos da Macari são monitorados por tecnologia OnixSat, com rastreamento e comunicação via satélite, e pela plataforma NOX, que gerencia riscos, acompanha as cargas em tempo real e verifica o histórico dos motoristas. Além disso, a empresa mantém contrato com a seguradora HDI, que oferece cobertura total contra roubos e sinistros, garantindo mais segurança às operações.
“Tudo isso reforça nossa parceria com a siderurgia brasileira. Nossa frota e ferramentas são especializados para captar cargas diretamente nas usinas e transportá-las, com rapidez e segurança, até os distribuidores de ferro e aço nas regiões atendidas”, destaca Nery Júnior.
Além disso, a transportadora também atua no transporte de aço importado para distribuidores, realizando o carregamento nos portos. “Vale destacar, porém, que essas operações têm sofrido com burocracias. Por exemplo, navios vindos da China em janeiro deste ano, com grandes volumes de vergalhões, só foram liberados recentemente para descarga no porto de Itajaí. Por isso, acreditamos que essa movimentação deve enfraquecer no segundo semestre de 2025. Com o dólar alto, possível aumento da demanda interna e o recente tarifaço dos EUA sobre as exportações brasileiras, o cenário tende a impulsionar o consumo do aço nacional no próprio mercado interno”, conclui o gestor da Macari, com uma projeção otimista para a siderurgia brasileira.










