Marcus Frediani
O setor de máquinas para processamento de aço permanece aquecido e vive um momento promissor no Brasil.
Os números de desempenho gerais da indústria de máquinas e equipamentos do mês de maio de 2025, divulgados pela ABIMAQ, revelaram uma contraposição entre boas notícias e outras nem tanto. De um lado, mostraram um cenário de recuperação consistente do mercado interno, com avanço na receita líquida de vendas e no emprego. Por outro, evidenciaram a continuidade de desequilíbrios preocupantes relacionados ao comércio exterior, com queda nas exportações e aumento nas importações. A primeira circunstância foi puxada principalmente pelo recuo nas vendas de máquinas para os setores de logística, construção civil e componentes, enquanto a segunda se justifica pela tendência ascendente da entrada de máquinas e equipamentos vindos da China, seguida pela Alemanha e pelos Estados Unidos.
“A continuidade da recuperação da demanda interna por máquinas e equipamentos reflete um cenário positivo, de resiliência das atividades manufatureiras, da manutenção de obras em infraestrutura e da melhor performance da agricultura depois de um ano de fortes intempéries climáticas. Mas o crescimento das
boas perspectivas de fechamento de negócios para a empresa, não só para este ano, como também para 2026.

Quem compartilha a visão de Maicon sobre o bom momento vivenciado atualmente pelo mercado, manifestando ainda excelentes perspectivas para o futuro, é Gilson Célio Rosa, diretor da GCR Maq, especializada em equipamentos para beneficiamento de bobinas de aço, atendendo desde fornecedores de planos até fabricantes de tubos, chapas e perfis metálicos. Na busca constante por inovação e eficiência, a aposta da empresa é investir em tecnologia. Um exemplo prático disso foi a implantação de três softwares — o ZW3D, o ZWCAD e o ZWCAD MFG — que oferecem uma solução completa para modelagem 3D, usinagem e design de produto, com ferramentas avançadas para todo o ciclo de desenvolvimento, do conceito à fabricação. “Felizmente, nunca deixamos de crescer. E, hoje, a aquisição desses novos softwares representa mais um avanço rumo ao crescimento sustentável, em sintonia com a missão da GCR Maq de acompanhar os avanços tecnológicos e, ao mesmo tempo, entregar a melhor relação custo-benefício do mercado, mantendo nossa competitividade nesses setores tão exigentes”, destaca Gilson.

Aposta na Tecnologia
Com uma parceria forte junto a GCR Maq e presidente da Cipriano Slitter — braço de trading no Brasil da chinesa Mercor HK, fabricante de máquinas e soluções para o setor siderúrgico — Edson Cipriano confirma o bom momento da indústria de aço no Brasil, embora ressalte que as usinas brasileiras, desde o início de 2025, estejam revendo seus planejamentos para se adaptar à atual realidade do mercado. “Isso não tem causado problemas na GCR Maq, que trabalha 100% com o fornecimento de equipamentos fabricados no Brasil. Porém, em função dessa revisão de planos, a emissão de novos pedidos de máquinas importadas da Mercor — que são gigantescas, chegando a pesar 400 toneladas — anda meio em compasso de espera, ainda mais com essa questão do tarifaço dos EUA. Ou seja, todo mundo está esperando para ver o que vai acontecer antes de fazer novas aquisições. Isso, entretanto, não tem afetado os negócios da Cipriano Slitter/Mercor HK, porque continuamos a operar com carteira cheia, sem cancelamento algum de pedidos”, informa. E nesse ponto, ele faz alusão a um fato no mínimo curioso: “Sabemos que existe a preocupação e o posicionamento da ABIMAQ contra a aquisição de máquinas importadas, e entendemos isso com naturalidade, porque a entidade representa os interesses da indústria nacional. Porém, ela é totalmente favorável à importação do aço, o que também é um contrassenso ante à campanha das usinas instaladas no Brasil, que cobram a criação de barreiras mais eficientes contra a entrada do aço importado”, provoca Edson, ao expor o paradoxo.

Também atuando na importação de máquinas para processamento de aço, a Red Bud — uma das empresas líderes globais na fabricação de equipamentos para processamento de bobinas para o setor siderúrgico, com sede no estado de Illinois/EUA e escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife — também compartilha estar vivenciando um estágio positivo de negócios no Brasil, além de boas perspectivas em relação ao futuro, com a previsão de entrega de duas máquinas até o final do ano para usinas instaladas no país. “E, para nós, esse é um resultado excelente, porque nossos equipamentos têm um custo altíssimo, uma vez que possuem tecnologia embarcada com sistemas de automação inovadores e qualidade bastante superior à dos grandes fabricantes mundiais.


Tanto que, nos últimos dez anos, somos considerados os melhores produtores de equipamentos para corte de bobinas nos Estados Unidos. Por conta disso, são máquinas que necessitam de um bom tempo de planejamento e maturação nos projetos dos clientes, além de prazos maiores para entrega, uma vez que a demanda por elas está muito alta no mundo todo. E uma das vantagens dos nossos produtos é que a automação resolve o grande problema da falta de mão de obra para operar equipamentos desse porte, o que nos dá um diferencial competitivo em relação à maior parte dos outros fabricantes, justificando boa parte dos investimentos que os clientes precisam fazer. Assim, a equação de nosso fornecimento é perfeita nesse sentido”, explica, bastante satisfeito, Carlos Eduardo Mader Rodrigues, diretor de Vendas & Marketing da Red Bud no Brasil.










