Apesar de agosto ter registrado o maior volume de produção de veículos em 2025 — com 247 mil unidades fabricadas, alta de 3% em relação a julho — o setor automotivo vive um momento de apreensão. O número ainda representa queda de 5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
A preocupação se justifica pela estagnação do mercado interno e pelo avanço contínuo dos emplacamentos de veículos importados. Em agosto, foram licenciados 225,4 mil autoveículos, com destaque para as vendas diretas, que superaram o varejo. A média diária de vendas ficou em 10,7 mil unidades, a segunda mais baixa do ano em relação ao mesmo período de 2024.
“O último quadrimestre precisará acelerar bastante para acompanhar o ritmo do ano passado”, alertou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
No acumulado de janeiro a agosto, os emplacamentos somam 1,668 milhão de unidades — crescimento tímido de 2,8% frente ao mesmo intervalo de 2024. Para se atingir os 5% de crescimento do ano, previsto pela entidade, há um longo caminho a ser percorrido. Em contrapartida, as vendas de importados avançaram 12,1% sendo que novamente os carros chineses lideraram a estatística.
Outro ponto destacado foi o crescimento dos emplacamentos de modelos eletrificados nacionais: eles representaram 25% das vendas totais de híbridos e elétricos no ano.
O desempenho das exportações tem sido decisivo para evitar uma desaceleração mais acentuada na produção. Em agosto, foram embarcadas 57,1 mil unidades, alta de 19,3% sobre julho e de 49,3% na comparação anual. No acumulado do ano, as exportações somam 313,3 mil veículos, crescimento de 12,1%. Os principais destinos de nossas exportações no ano foram a Argentina com crescimento de 154,2%, O Chile com 47,9% e a Colômbia com 43,6%.
Entretanto, o segmento de caminhões acendeu o sinal vermelho. A produção entre janeiro e agosto totalizou 88.525 unidades, queda de 1% em relação ao mesmo período de 2024 — a primeira retração no acumulado anual. Em agosto, foram produzidos 10.096 caminhões, recuo de 23% frente ao mesmo mês do ano anterior e de 16,3% em relação a julho.
“No caso dos caminhões, nem o bom desempenho das exportações tem sido suficiente para manter os níveis de produção, o que já começa a impactar os empregos nas fábricas de veículos pesados”, concluiu Calvet.
Fonte: Anfavea.










