Mesmo diante de grandes desafios, setor da construção civil se reinventa para trilhar um futuro mais promissor.
Marcus Frediani
A notícia é preocupante. Em agosto último, a indústria da construção civil registrou o desempenho mais fraco para o mês em nove anos, de acordo com a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI, em parceria com a CBIC. Na pesquisa, o índice de evolução do nível de atividade caiu 3,5 pontos em relação a julho, chegando a 46 pontos, o menor patamar para agosto desde 2016. Entre os principais algozes do resultado negativo, a fuga de mão de obra lidera as preocupações dos respondentes do estudo, cravando o nível mais baixo em três anos, seguida pelas altas taxas de juros, o custo de materiais e serviços e, ainda, a demanda de mercado, sendo que esta última, apenas para fazer um comparativo, aparecia como a questão mais relevante entre as menções no estudo CNI/CBIC imediatamente anterior, realizado em 2023.
Complementando o clima de “tempestade perfeita”, outro levantamento, desta vez a cargo da consultoria especializada Falconi – com o nome de Termômetro da Construção Civil, e realizado entre 2 de junho e 10 de julho, contando com a participação de 120 executivos do segmento, sendo 35% deles CEOs, proprietários e diretores –, aponta os mesmos motivos e principais desafios enfrentados por construtoras e incorporadoras, trazendo, entretanto, “remédios” para vencê-los no curto prazo. Pela ordem, melhorar a gestão de custos das obras, promover treinamentos e qualificação da mão de obra e fortalecer as marcas. Na mesma toada de comparação, a pesquisa anterior da Falconi, também feita há dois anos, demonstrava que as empresas priorizavam concluir projetos no prazo, melhorar a experiência do cliente e investir em industrialização.
MESMO ASSIM, BOAS PERSPECTIVAS
Porém, nem tudo são espinhos. Apesar do cenário negativo, a atual sondagem da CNI/CBIC – que ouviu 298 empresas, entre os dias 1º e 10 de setembro, sendo 122 pequenas, 118 médias e 58 grandes – registra que houve leve melhora no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção civil, em setembro, com o avanço de 1,2 ponto percentual, para 47 pontos, entretanto ainda abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, em movimento que indica menor pessimismo do que em agosto. A justificativa foi puxada pelas expectativas em relação ao desempenho das próprias empresas nos próximos seis meses.
Em linha com essas perspectivas, algumas cidades brasileiras também compartilham boas expectativas para a construção civil. É o caso de São Paulo, que, segundo a mais recente Pesquisa Secovi-SP do Mercado Imobiliário (PMI), realizada pelo Depto. de Economia e Estatística da entidade, que acompanha a dinâmica nos principais centros econômicos do estado paulista junto às incorporadoras associadas, apurou que o volume de lançamentos – com destaque para os segmentos de luxo e os imóveis residenciais em bairros valorizados, além do programa “Minha Casa, Minha Vida” – cresceu 6,8%, e que as vendas aumentaram 9,6% no 1º Semestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.
Simultaneamente, o interior de São Paulo também registrou um aumento nas vendas, especialmente em cidades como Campinas e Sorocaba, o que representa uma oportunidade para diversificação. E além disso, outro exemplo é o de Cuiabá, que, segundo o Secovi-MT, vem batendo sucessivos recordes de financiamentos de imóveis e valores transacionados ao longo de 2025, notadamente em áreas residenciais, muito também por influência do “Minha Casa, Minha Vida”.

CONSTRUÇÃO EM AÇO
Sempre presente na construção civil, o aço é um material essencial para as edificações devido às suas características de alta resistência e durabilidade, sendo usado tanto em estruturas metálicas quanto em armaduras para o concreto armado. Além da maleabilidade e da capacidade de criar projetos arquitetônicos mais flexíveis, conferindo-lhes estética visual mais moderna e sofisticada, as principais vantagens de sua utilização incluem a rapidez na execução das edificações e, ainda, a garantia de elevados índices de sustentabilidade, uma vez que ele é 100% reciclável e gera baixíssimos níveis de resíduos nos canteiros de obras. Isso, sem falar de aspectos relacionados à obra depois de esta estar concluída, proporcionando segurança e conforto aos ocupantes das construções, oferecendo bom isolamento acústico e térmico.
Dessa forma, suas principais aplicações no setor são múltiplas, abrangendo estruturas metálicas, tais como vigas, pilares, treliças e outros componentes para formar o esqueleto da edificação; uso no concreto armado, atuando como armadura formada por vergalhões e estribos, para aumentar sua resistência à compressão e à tração; estruturas pré-fabricadas, que permitem a construção de projetos com mais precisão e rapidez, pois tais peças são produzidas fora do canteiro de obras; sistemas de steel frame, nos quais a estrutura para o fechamento das paredes é feita com placas como o drywall; detalhes e complementos, proporcionados pelo uso de elementos como esquadrias, corrimãos, calhas e portões; e ainda cabos de aço, indispensáveis para a ancoragem de estruturas, movimentação de cargas pesadas e segurança dos trabalhadores nas obras.

E, a partir do uso da mais moderna tecnologia, uma inovação lançada pela Belgo Arames durante o Concrete Show 2025, que aconteceu em São Paulo, entre os dias 19 e 21 de agosto, veio para aumentar essa lista de soluções: a Dramix Galvanizada, com revestimento extra de fibra de zinco, característica que confere ao aço resistência superior à oxidação e maior durabilidade, além de produtividade, acabamento estético adequado em elementos pré-fabricados, tubos e paredes de concreto – principalmente em ambientes agressivos e úmidos. Além disso, o produto chega ao mercado nacional como alternativa mais sustentável, já que pode substituir reforços convencionais mantendo o mesmo desempenho estrutural, com estimativa de redução de até 30% do uso de aço e concreto e de até 25% das emissões de CO2.










