O agronegócio avança, mas enfrenta desafios: tarifaço dos EUA, crédito emergencial e avanço das importações acendem alertas na indústria de máquinas e por tabela na siderurgia brasileira.
Marcus Frediani
O recente anúncio da abertura de uma nova linha de crédito de R$ 12 bilhões para aliviar agricultores prejudicados por tragédias climáticas, feito pelo Governo Federal, trouxe novo alento para 96% dos pequenos e médios produtores inadimplentes ou com dívidas prorrogadas, com juros bem mais baixos do que os praticados pelo mercado. E a notícia chegou em boa hora, na qual o tarifaço dos Estados Unidos colocou uma pulga atrás da orelha dos produtores do agronegócio nacional, que ameaça reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados internacionais, especialmente no país norte-americano, com a queda nas exportações e no faturamento de itens como carne bovina, suco de laranja e café, algo que certamente tem potencial para causar desestabilização nos preços internos, pressão no fluxo de caixa dos produtores e vulnerabilidade da agricultura familiar.

Assim, a princípio, a medida está sendo encarada como uma solução para mitigar os impactos no setor, na direção da renegociação de tarifas ou da abertura de novos mercados. “Isso sempre ajuda, porque quando o agricultor fica sem crédito, ele não consegue pagar a dívida. Então, o fato de você dar uma ajuda para esse pessoal, para que possa plantar, e aí também comprar máquinas e poder ao longo do tempo pagar, bem como terceirizar suas operações no campo por meio da locação delas, uma dinâmica que vem crescendo muito nos últimos tempos. Com isso, um agricultor que está fora do mercado acaba voltando para ele, o que, nesse aspecto, é muito interessante para o nosso setor”, sublinha Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da ABIMAQ (CSMIA).
CRESCIMENTO VERSUS APREENSÕES
Contudo, ainda segundo o executivo da ABIMAQ, o tarifaço dos EUA não está afetando tão duramente assim os negócios do setor. Primeiro, porque o mercado interno para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas anda bastante aquecido, após um 2024 muito ruim, por conta de uma seca muito severa que afetou o Brasil inteiro, derrubando não só as vendas como também a produtividade dos ruralistas. “Agora, no acumulado do 1º Semestre de 2025, estamos vendo uma boa recuperação em relação ao igual período do ano passado, com um faturamento 18% superior”, registra.
E no que tange às exportações, Pedro afirma que o impacto nas vendas em função da imposição da taxa de 50% pelo governo Trump, embora alta, também não está muito sensível, uma vez que a cifra das exportações de nossas máquinas para os Estados Unidos é muito pequena, representando um faturamento que não passa de 1,3%. Por isso, no contexto geral, ele diz que a ABIMAQ não está preocupada em compensar essas exportações, preferindo direcionar esforços para abertura de novos mercados internacionais.
“Agora, o principal impacto do tarifaço foi no ânimo geral de investimentos, que esse é difícil você mensurar, porque se trata de um efeito mais psicológico. O pessoal dos EUA começa a ver esse movimento de imposição de tarifas, de coisas que estão abertas. Ou seja, não existe visibilidade do horizonte, o que faz com que os agricultores norte-americanos acabem deixando as compras para depois, sem que a gente saiba exatamente como eles vão reagir daqui para a frente, tendo apenas a noção de que vão começar a comprar menos”, assevera o presidente da CSMIA, informando ainda que, somando exportação e os impactos diretos e indiretos do tarifaço, a diminuição das vendas ficaria em torno de apenas 5%. “Com relação a 2024, estamos com um acumulado de 18%, e esperávamos fechar este ano com mais ou menos 15%. Mas, com o tarifaço, sendo bastante pessimista, acreditamos que chegaremos ao final de 2025 com venda 10% acima do ano passado”, complementa.
PERDA DE MERCADO
No entanto, em contraste a esse quadro de relativa tranquilidade, o que vem realmente tirando o sono dos fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros – e não só daqueles que atuam no segmento de máquinas e equipamentos agrícolas, ou seja, de forma geral – é o aumento gigantesco da importação desses itens no país.

“Há dez anos, tínhamos 70% do mercado de máquinas nacionais. Hoje, representamos apenas 54%. Enquanto isso, a participação da China no mercado brasileiro avançou de 16,9% para 33% nesse período. Em uma década, o país asiático dobrou sua fatia em nosso mercado”, registrou José Velloso Dias Cardoso, o presidente-executivo da ABIMAQ, durante a edição do Congresso Aço Brasil 2025, realizada nos dias 26 e 27 de agosto, em São Paulo.
Com isso, a entrada de máquinas e equipamentos importados no Brasil atingiu, no final do 1º Semestre deste ano, US$ 2,6 bilhões, cravando um crescimento de 13,1% frente a 2024, somando US$ 15,7 bilhões, o maior valor da história para o período, efetivamente com destaque para o avanço da participação da China, que já responde por 32,1% das máquinas importadas pelo Brasil, o que também tem gerado forte apreensão no setor de aço do país. E este é um outro setor de nossa economia que vem observando com muita apreensão o avanço da China nos negócios.
As importações de aço no Brasil – insumo crucial para a fabricação de máquinas agrícolas pela sua resistência, durabilidade e versatilidade, garantindo a integridade dos equipamentos em condições adversas do campo, aumentando a produtividade –, apresentaram crescimento significativo em 2025, como um aumento de 28,8% no 1º Semestre, segundo os dados do Instituto Aço Brasil. E esse aumento, impulsionado pelos preços competitivos da China, está pressionando a indústria nacional, apesar de as cotas tarifárias terem sido estabelecidas para mitigar o problema. Assim, o cenário é de preocupação para a siderurgia brasileira, que continua a enfrentar não só a concorrência de importações como também fuga de novos investimentos e uma perda de confiança dos CEOs do setor.

China nos negócios.
As importações de aço no Brasil – insumo crucial para a fabricação de máquinas agrícolas pela sua resistência, durabilidade e versatilidade, garantindo a integridade dos equipamentos em condições adversas do campo, aumentando a produtividade –, apresentaram crescimento significativo em 2025, como um aumento de 28,8% no 1º Semestre, segundo os dados do Instituto Aço Brasil. E esse aumento, impulsionado pelos preços competitivos da China, está pressionando a indústria nacional, apesar de as cotas tarifárias terem sido estabelecidas para mitigar o problema. Assim, o cenário é de preocupação para a siderurgia brasileira, que continua a enfrentar não só a concorrência de importações como também fuga de novos investimentos e uma perda de confiança dos CEOs do setor.










