No maior evento técnico-científico e empresarial da América Latina para as indústrias de metalurgia, materiais e mineração, a 9ª edição da ABM Week, as mudanças climáticas foram destaque em seus painéis. “O tema é muito relevante, sendo fundamental detalhar alguns aspectos. A grande fonte energética da mineração é a elétrica, que no Brasil vem majoritariamente de energia limpa. A geração de CO2 se dá nas fases de transporte, na mina e para chegar ao mercado, seja em caminhões, trens ou navios. Portanto, ao falar em redução de geração de CO2, precisamos olhar principalmente para a logística”, relatou a consultora e coordenadora do Painel Mineração, Redução e Aglomeração, Vânia Lúcia de Lima Andrade.

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), a mineração ocupa a nona posição no ranking, devido às emissões diretas, ao uso de energia, aos resíduos e aos impactos em solo e água. Ainda assim, Vânia enxerga diversas oportunidades, principalmente na produção de materiais críticos, considerados essenciais para a cadeia de produção e economia de alguns países: “a mineração pode ajudar a siderurgia a reduzir esse impacto por meio do fornecimento de minério de qualidade superior ou de produtos com menor pegada ambiental, como o briquete verde. Atualmente, o principal impacto positivo está na produção de materiais críticos para a transição energética. Sem esses minerais, ela não seria possível”, ponderou.
Para a coordenadora do painel, o setor ainda luta contra o estigma de ser uma atividade poluente e ambientalmente perigosa. Mas ela acredita já existirem soluções à médio e longo prazo para reverter isso. “Uma medida imprescindível para mudar este quadro é a adoção do fechamento progressivo das minas. O processo de fechamento conta com a recuperação ambiental do território impactado, e isto deve ser feito ao longo da vida útil do empreendimento, não apenas no seu final. A Agência Nacional da Mineração já tem regulamentação sobre esse processo desde 2018”, acrescentou.
Entretanto, ainda segundo a consultora, a mineração é a principal atividade a viabilizar a transição energética para fontes limpas como a solar e eólica. “O Brasil tem reservas importantes de fontes como Lítio, Cobre, Níquel, terras raras, entre outros. Por isso, o acesso a estas fontes de minerais tem sido alvo de disputas geopolíticas. O desafio é a produção de produtos de maior valor agregado, indo além dos produtos primários”, completou no evento da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM).
Fonte: Assessoria de Imprensa ABM assessoria@abmbrasil.com.br










