Marcus Frediani
Em entrevista exclusiva concedida ao Portal e revista Siderurgia Brasil e de forma objetiva e crítica, Benjamim Fernandes, presidente da Benafer, expõe sua visão sobre o momento atual e o futuro da distribuição independente de aço no Brasil.
Reconhecida como uma das principais distribuidoras de aços planos do mercado nacional, a Benafer mantém um amplo e diversificado estoque de laminados planos, oferecendo produtos em diferentes espessuras, medidas e qualidades, além de serviços de corte para atender às necessidades específicas da indústria em variados segmentos, incluindo o da construção civil, no qual se destacou pelo fornecimento de soluções para obras de infraestrutura e engenharia.
A empresa também é referência em segurança, agilidade e pontualidade nas entregas, assim como em seu compromisso com práticas sustentáveis, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde atua.
Com matriz no Rio de Janeiro e filiais em Guarulhos/SP, Contagem/MG, Curitiba/PR e Porto Alegre/RS, a Benafer foi fundada em 1961 por Benjamim Nazário Fernandes Filho, hoje com 86 anos e ainda à frente dos negócios.

CENÁRIO DESAFIADOR
O decano da distribuição de aço no país – que já presidiu o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) – demonstra crescente preocupação com o cenário que se desenha no setor. Ele observa também o agravamento da corrupção diária, refletida nas manchetes de órgãos de impressa, onde também a credibilidade é questionável. Entre os principais fatores está a contínua entrada de aço importado da China, que quase sempre chega ao Brasil com preços inferiores aos da produção nacional, provavelmente impulsionada por subsídios governamentais. Isso corrói parte significativa do mercado interno e da indústria nacional. Embora, na prática, a distribuição de aço importado também represente uma opção aos clientes, há um outro fator para os independentes que é a expansão dos centros de distribuição das próprias usinas, que passam a abastecer diretamente o mercado.
“A ineficiência das medidas adotadas pelo governo, como as cotas tarifárias, tem se mostrado incapaz de conter a invasão do aço chinês. Além disso, a criação de centros de distribuição pelas usinas prejudica o abastecimento das independentes, já que elas priorizam suas coligadas. Assim, quando fazemos pedidos, os volumes entregues vez por outra são menores do que o solicitado ou, simplesmente, não chegam até nós”, explica Benjamim.
FALTA DE PREVISIBILIDADE
Segundo o presidente da Benafer, outras variáveis agravam ainda mais o cenário, configurando uma verdadeira “tempestade perfeita”. As constantes flutuações de preços, somadas às incertezas do mercado, afetam diretamente as independentes. “O mercado está volátil, e a possibilidade de novos reajustes pelas usinas, mesmo com o consumo moderado, prejudica nossa operação pela falta de previsibilidade nos negócios”, afirma.
Ele destaca também fragilidades na gestão da cadeia de suprimentos dentro das próprias distribuidoras, que ainda carecem de maior integração com parceiros e de controles mais eficientes de estoque, essenciais para garantir disponibilidade de produtos no momento e lugar adequados.
Outro desafio persistente são os gargalos logísticos nacionais. A dependência excessiva do transporte rodoviário — com altos custos operacionais, pedágios, combustíveis e estradas em condições precárias — encarece e atrasa entregas, em contraste com a lenta evolução de alternativas multimodais, como ferrovias.
INDÚSTRIA NAVAL
Benjamim também destaca a queda do consumo interno em setores que antes representavam forte demanda para a Benafer, como a indústria naval no Rio de Janeiro. O segmento, já enfraquecido pelos efeitos da Operação Lava Jato e pela ausência de novas encomendas, sofreu demissões em massa e a paralisação de estaleiros como Atlântico Sul, Vard Promar e Aliança demonstram a falta de interesse na retomada do setor.
Apesar de iniciativas do Governo Federal e da Petrobras para reverter esse cenário — como o anuncio de novos investimentos, retomada de projetos e financiamentos bilionários do Fundo da Marinha Mercante (FMM) —, Benjamim ainda demonstra cautela, porque na prática nada está sendo feito. Os juros nas altura dos que temos no Brasil, desestimulam qualquer empreendedor a investir na produção.
“Sim, existem licitações e contratos em andamento para novos navios da Transpetro, o que pode marcar a retomada da indústria naval, com potencial para gerar milhares de empregos e reativar a cadeia produtiva em diversas regiões. Mas, até agora, não vemos resultados concretos. Infelizmente, resta-nos esperar para ver o que de fato acontecerá”, afirma, reconhecendo que o impacto acumulado dos últimos anos foi profundo, tanto para a Benafer quanto para outras distribuidoras independentes de aço no Brasil.










