A siderurgia brasileira vive um momento delicado, marcado por cortes de empregos e redução de investimentos, consequência direta da dificuldade do país em reagir às importações predatórias que inundam o mercado interno. O alerta foi feito por André B. Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau. Segundo ele, enquanto economias como Estados Unidos, União Europeia e México já adotaram medidas firmes de defesa comercial contra práticas desleais, o Brasil ainda se mostra lento em implementar mecanismos de proteção. Essa demora, afirma Johannpeter, tem como efeito imediato a perda de competitividade da indústria nacional e a transferência de postos de trabalho para países que exportam aço em condições consideradas injustas.
O dirigente ressalta que a situação não se resume a números frios de balança comercial, mas afeta diretamente milhares de trabalhadores e compromete a capacidade de investimento em inovação e modernização das plantas industriais brasileiras. A entrada maciça de aço estrangeiro, muitas vezes subsidiado ou vendido abaixo do custo de produção, pressiona os preços internos e torna inviável a manutenção de operações locais em escala sustentável. “Confiamos que o Brasil fará o mesmo, para que evitemos a transferência de empregos para os países que produzem o aço que inunda nosso mercado de forma desleal”, declarou Johannpeter, reforçando a necessidade de uma resposta rápida e coordenada do governo.

O Instituto Aço Brasil, entidade que reúne as principais empresas do setor, tem defendido junto às autoridades a adoção de medidas de defesa comercial, como tarifas antidumping e salvaguardas, que já se mostraram eficazes em outros mercados. Para Johannpeter, trata-se de uma questão estratégica: proteger a indústria nacional significa preservar empregos, arrecadação e a capacidade de o país manter uma base industrial sólida, essencial para o desenvolvimento econômico. Ele lembra que o aço é insumo fundamental para setores como construção civil, infraestrutura e indústria automotiva, e que a fragilização da produção interna pode gerar efeitos em cadeia sobre toda a economia.
Sob o impacto de importações recordes, a produção de aço no Brasil cairá 2,2% em 2025, em relação a 2024, fechando em 33,1 milhões de toneladas, prevê o Instituto Aço Brasil. Com alta de 20,5%, o ingresso de produtos laminados atingirá 5,7 milhões de toneladas, o maior volume em 15 anos. Práticas concorrenciais predatórias que estão ocorrendo no comércio mundial do aço já causaram o fechamento de 5 mil vagas e corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos, no setor.
O apelo do líder empresarial reflete a preocupação crescente de que o Brasil se torne excessivamente dependente de importações, perdendo autonomia em um segmento considerado vital. A expectativa é que o governo federal avance em medidas concretas, alinhando-se às práticas internacionais e garantindo condições mais equilibradas de concorrência. Enquanto isso não ocorre, o setor segue contabilizando prejuízos e buscando alternativas para manter sua relevância em um cenário global cada vez mais competitivo.
Fonte: Instituto Aço Brasil










