A edição anual do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, aponta que as vendas ao mercado americano totalizaram US$ 37,7 bilhões, uma retração de 6,6% em relação a 2024. Esta foi a maior queda das exportações brasileiras para os Estados Unidos desde a recuperação pós-pandemia. Com isso, a participação americana na pauta exportadora brasileira passou de 12,0% para 10,8%. Apesar da queda, os EUA permaneceram como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 16% do total, à frente da União Europeia (US$ 23,6 bilhões) e do Mercosul (US$ 23,5 bilhões), segundo o relatório, disponível no site da Amcham Brasil.
A Amcham aponta dois fatores principais para a queda das exportações em 2025. O primeiro é o impacto das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. As exportações de bens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% recuaram 9,5% (–US$ 1,5 bilhão) no ano. Já os produtos afetados pelas medidas da Seção 232, como o setor siderúrgico, registraram queda de 4,1% (–US$ 353 milhões). Entre agosto e dezembro, as exportações de produtos atualmente sujeitos a sobretaxas caíram de US$ 11,2 bilhões em 2024 para US$ 8,8 bilhões em 2025, uma redução de 21,6%.
O segundo fator foi a queda nas vendas de petróleo bruto e combustíveis, que somaram retração de US$ 1,2 bilhão, influenciada pela maior produção interna nos Estados Unidos e, portanto, sem relação com tarifas. Além de petróleo e combustíveis, destacaram-se quedas relevantes nas exportações de celulose (–US$ 352,8 milhões), semimanufaturados de ferro e aço (–US$ 179,8 milhões), madeira (–US$ 127,8 milhões), motores de pistão (–US$ 93,8 milhões), minério de ferro (–US$ 89,1 milhões) e equipamentos de engenharia civil (–US$ 85,6 milhões).
Já as importações brasileiras de produtos americanos cresceram pelo terceiro ano consecutivo, com alta de 11,3% em relação a 2024, alcançando US$ 45,2 bilhões — o segundo maior valor da série histórica, resultando em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil em 2025. Trata-se de um salto expressivo frente a 2024, quando o saldo negativo foi de apenas US$ 300 milhões, uma variação superior a 2.500%.
Na avaliação da Amcham Brasil, o início de 2026 representa uma janela estratégica para o avanço das negociações bilaterais, com foco na redução de barreiras que hoje limitam o comércio entre os dois países. Atualmente, produtos sujeitos a sobretaxas de 40% ou 50% representam cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos, evidenciando seu peso na pauta exportadora.
Fonte: Dirceu Pinto <dirceu.neto@amchambrasil.com.br> Assessoria de imprensa










