As empresas relaminadoras desempenham papel fundamental, fornecendo produtos em dimensões e especificações muitas vezes indisponíveis no portfólio de produtos oferecidos pelas usinas.
Henrique Pátria
Os aços relaminados são produtos siderúrgicos obtidos por meio do processo denominado relaminação, que consiste na passagem do aço por cilindros laminadores específicos, ajustando sua espessura, dimensões e acabamento superficial às exigências e tolerâncias dos produtos em que serão utilizados. Em outras palavras, trata-se de submeter o aço a uma nova etapa de laminação, adequando-o às dimensões, tolerâncias e propriedades requeridas por suas futuras aplicações.
A relaminação pode ser aplicada tanto a aços planos quanto aos não planos, tais como tarugos, barras, blocos e placas, conferindo-lhes, inclusive, novos formatos, como cantoneiras, perfis, peças cilíndricas e diversas outras configurações.
O processo pode ocorrer a quente ou a frio. Na relaminação a quente, o material é novamente aquecido a temperaturas elevadas, superiores a 1.000°C, que permitem sua deformação e a obtenção de novos produtos como perfis estruturais, barras, cantoneiras, vergalhões e chapas.
Já na relaminação a frio, sem aquecimento prévio do material, o processo é realizado à temperatura ambiente, ou próxima desta. Nessa condição, é possível obter maior precisão dimensional, melhor acabamento superficial e incremento das propriedades mecânicas por efeito do encruamento. Mesmo os produtos relaminados a frio, dependendo de sua aplicação final, podem ainda passar por tratamentos térmicos ou superficiais, destinados a ampliar suas resistências mecânica, ao desgaste ou proteção contra a corrosão.

Imagem ilustrativa de relaminação de aço
A relaminação a quente ocorre pela passagem do material através do relaminador, conforme ilustrado na Figura 1. Trata-se, na prática, de uma segunda etapa de laminação, cujo objetivo é adequar e qualificar o aço, deixando-o nas condições exigidas pelo cliente.

FIGURA 1 – RELAMINADOR DE AÇO A QUENTE
Por sua vez, a relaminação a frio é um processo de maior caráter metalúrgico, utilizado para reduzir a espessura de chapas, tiras ou bobinas de aço à temperatura ambiente. Seu principal objetivo é melhorar as propriedades mecânicas, a precisão dimensional e o acabamento superficial do material.
Normalmente, o processo se inicia pela decapagem química, a fim de remover a camada de óxidos e demais imperfeições formadas durante o processo de produção do aço.
Os relaminadores podem ser equipamentos simples, compostos por dois ou quatro cilindros, ou ainda por instalações mais sofisticadas, com diversos laminadores atuando em sequência. Durante a deformação a frio, o aço torna-se mais resistente em razão do encruamento de sua estrutura cristalina. Para recuperar sua conformabilidade, realiza-se posteriormente o tratamento térmico denominado recozimento.
Entre as principais características dos aços relaminados a frio se destacam a melhora substancial da planicidade, da aparência superficial e, principalmente, da precisão dimensional, tornando-os ideais para aplicações sujeitas a rigorosos controles de qualidade.

FIGURA 2 – LAMINADOR A FRIO
As empresas relaminadoras, tanto a quente quanto a frio, desempenham papel fundamental na cadeia siderúrgica. Elas fornecem produtos em dimensões e especificações adaptadas às necessidades dos clientes, muitas vezes indisponíveis nos produtos padronizados das usinas. Constituem, portanto, um importante complemento na cadeia siderúrgica, agregando valor e ampliando a oferta de produtos siderúrgicos, especialmente para nichos de mercado não atendidos pelas siderúrgicas integradas.
Entre os principais clientes e aplicações dos produtos relaminados, se destacam:
• Indústrias automobilística, de autopeças e de implementos agrícolas;
• Linha branca, fabricação de eletrodomésticos, equipamentos de fitness e móveis de aço;
• Construção civil, com o fornecimento de perfis leves, forros, divisórias, telhas, sistemas drywall, tubos e elementos tubulares, vigas, estruturas metálicas, grades, portões, escadas, e inúmeros outros componentes;
• Indústria mecânica e de equipamentos industriais, na produção de eixos, pinos, parafusos, máquinas e estruturas diversas; e
• Setores ferroviário e metroviário, no fornecimento de fixações, peças de manutenção e componentes de infraestrutura.







