A Anfavea, acompanhada por uma extensa lista de federações, sindicatos e representantes de diversos segmentos da indústria, reagiu duramente à decisão do Gecex, órgão do governo responsável por definir a política tarifária para produtos importados. O motivo foi a prorrogação até o fim do ano da cota de importação isenta de impostos para veículos chineses trazidos nos regimes CKD e SKD, ou seja, semidesmontados para montagem no Brasil. A medida contrariou o entendimento anterior, que previa a vigência do benefício apenas até junho, reforçando mais uma vez a percepção de insegurança jurídica que afeta o ambiente de negócios no país.
Por outro lado, o CEO da Volkswagen, uma das montadoras que, junto com a Anfavea, assinou a carta encaminhada ao presidente da República solicitando a revisão da medida, afirmou que a empresa passará a importar, já no 2º Semestre, autopeças e veículos produzidos em sua unidade na China. Segundo ele, diante da chegada dos carros chineses, o momento exige decisões rápidas para preservar a competitividade, ainda que isso represente uma redução do conteúdo local.
À parte das discussões políticas, esta edição da revista Siderurgia Brasil traz duas matérias dedicadas à qualidade dos aços oferecidos ao mercado. Abordamos os trefilados e os relaminados, processos distintos, porém com o mesmo objetivo: agregar valor aos produtos, elevar seu desempenho, e fornecer matéria-prima de maior qualidade para a indústria. São operações fundamentais para o desenvolvimento de componentes de alta precisão e de inúmeros produtos que simplesmente não existiriam sem essas etapas de transformação.
Também destacamos em nossas páginas o papel da sustentabilidade, em especial a importância da sucata metálica na descarbonização da indústria siderúrgica, processo que vem mobilizando investimentos de cifras bilionárias em todo o mundo. O Brasil, entretanto, continua exportando parcela significativa da sucata gerada por aqui, tema de uma reportagem exclusiva desta edição. Outro destaque é o manifesto da indústria automotiva e seus desdobramentos para a cadeia produtiva nacional sobre a mudança de regras no meio do jogo.
Na seção “ENERGIA”, mostramos que alguns custos vêm caindo graças à ampliação das fontes alternativas. Contudo, o país ainda deixa de avançar mais rapidamente por causa da insuficiência de investimentos em linhas de transmissão, o que resulta no desperdício de parte da energia gerada.
E a seção “ESTATÍSTICAS” desta edição retratamos a verdadeira gangorra vivida pela economia brasileira. Já na “VITRINE”, destacamos nossa parceria com a INTERFORM – Feira e Congresso de Corte e Conformação de Metais, que será realizada em Joinville, de 15 a 18 de setembro.
Mais uma vez, agradecemos a audiência e a confiança dos nossos leitores. E continuamos contando suas com suas sugestões e comentários, fundamentais para seguirmos aprimorando o conteúdo das nossas publicações.
Boa leitura!
Henrique Isliker Patria
Editor-chefe – henrique@grips.com.br







