Com um jantar comemorativo realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, na quarta-feira (7/10), a Abimetal/Sicetel lançou oficialmente seu Anuário 2026, publicação que apresenta uma ampla análise do mercado de processamento de aço no Brasil e os principais desafios enfrentados atualmente pelo setor.
De acordo com os dados reunidos pela entidade, suas empresas associadas foram responsáveis pela transformação estimada de 3,3 milhões de toneladas de aço em 2025. O volume representa uma retração de 0,3% em relação ao ano anterior e corresponde a 15,5% de todo o aço processado no país, mantendo praticamente estável a participação registrada em 2024.
Entre as associadas da Abimetal/Sicetel, a estimativa é de que tenham sido processadas 2,6 milhões de toneladas de aços longos em 2025, queda de 0,4% na comparação anual. Já o segmento de aços planos apresentou retração mais acentuada, de 27%, encerrando o período com aproximadamente 575 mil toneladas processadas.
A entidade reúne mais de 70 empresas, que representam cerca de 20% do universo estimado de 350 fabricantes do setor, considerando empresas independentes e siderúrgicas verticalizadas. Juntas, as associadas empregam aproximadamente 30 mil trabalhadores.


Durante a cerimônia, o presidente da Abimetal/Sicetel, Ricardo Martins, aproveitou o lançamento para fazer um forte alerta sobre o ambiente de negócios enfrentado pela indústria brasileira. Segundo ele, o avanço das importações, especialmente de produtos provenientes de países asiáticos, vem aumentando a pressão sobre os fabricantes nacionais.
Martins criticou a entrada de produtos acabados no mercado brasileiro a preços que, em alguns casos, segundo ele, chegam a ficar abaixo do custo da própria matéria-prima utilizada pela indústria nacional. Para o presidente, o cenário evidencia a necessidade de medidas mais efetivas e urgentes de proteção à produção brasileira.
Outro ponto destacado foi o chamado Custo Brasil, estimado pelo setor em cerca de R$ 2 trilhões anuais. Martins também questionou as diferenças entre a carga tributária suportada pelos fabricantes nacionais e as condições encontradas por determinados produtos importados, além de apontar preocupações com o cumprimento de requisitos de qualidade e segurança.
O presidente afirmou que a entidade tem recorrido aos órgãos responsáveis pela fiscalização e defesa comercial, mas relatou dificuldades para avançar com os processos. Segundo ele, uma das justificativas frequentemente apresentadas é a falta de estrutura e de pessoal para acompanhar as demandas.

Martins também chamou atenção para o movimento de outros países, que vêm ampliando mecanismos de proteção de seus mercados por meio de salvaguardas e instrumentos de defesa comercial. Na avaliação do dirigente, o Brasil precisa adotar uma postura mais firme diante da concorrência internacional, citando como exemplos problemas enfrentados pelas indústrias automobilística e de autopeças.
Ao abordar o cenário político, o presidente manifestou esperança de que a renovação do Congresso Nacional e as próximas mudanças no ambiente político possam abrir espaço para uma nova agenda econômica e industrial, independentemente de quem venha a ocupar a Presidência da República.
Por fim, Martins destacou os desafios relacionados aos acordos comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, enquanto os produtos brasileiros continuam enfrentando barreiras e cotas para acessar mercados europeus, o Brasil mantém uma postura considerada mais aberta à entrada de produtos estrangeiros.
Apesar do cenário de incertezas, o presidente da Abimetal/Sicetel encerrou sua manifestação com uma mensagem de otimismo. Para ele, o Brasil ainda tem condições de reverter esse quadro e construir um mercado mais forte, no qual a indústria nacional e seus empresários tenham papel central na retomada do crescimento e no desenvolvimento econômico do país.







